28 fevereiro, 2011

UM ASSUNTO PARA O CONGRESSO DO FORCINE




Nos dias 24, 25 e 26 de março, o FORCINE - Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual – realiza o seu VII Congresso em São Paulo, na FAAP. As inscrições (inclusive para ouvintes) estão abertas.

Feita a propaganda – e já que supunhetamos no assunto de novo – SOMBRAS ELÉTRICAS sugere um assunto que poderia perfeitamente ser discutido no VII Congresso – afinas, é um congresso da entidade que reúne escolas de cinema, certo?

Há algum tempo atrás, o então secretário do Audiovisual, Orlando Senna, formulou uma proposta para a criação de cursos de Licenciatura em Cinema e Audiovisual, para formação de professores desta área para o ensino médio.

Desde então, não se falou mais no assunto. Por quê, não se sabe.

DOS CAÇAS ÀS CÂMERAS



Esta história dos 36 caças que o Brasil diz que vai comprar e acaba adiando a compra acaba enchendo o saco. Mas, curiosamente, nos faz pensar em cinema. (Não, não em filmes de guerra - é em outra coisa.)

O que empata sempre a decisão final nesta história dos caças é uma exigência do edital: os vendedores dos aviões tem de transferir tecnologia - para, mais tarde, fabricar novos aviões deste modelo no Brasil.

Por conta disso, russos e suecos caíram fora: não queriam (ou não podiam) transferir tecnologia - os russos, porque talvez não tenham tecnologia moderna para transferir; os suecos, porque o motor é americano, e os americanos também não transferem tecnologia nem por um capacete.

(Donde acho melhor a presidente Dilma Rousseff confiar desconfiando nas promessas do senador John McCain, de transferência total de tecnologia do F-16: a experiência nos ensina que americanos só cumprem a sua palavra quando querem. Vai que o Brasil escolha o caça americano, e logo depois o Tea Party no Congresso americano vete a transferência... quem você acha que vai ficar pendurado na brocha?)

Os franceses já estavam quase dentro, prometendo transferir tecnologia mais o céu; mas aí deixaram a diplomacia brasileira pendurada na brocha no caso do Irã, e aí...

Mas eles que são brancos e armamentistas que se entendam. O que eu quero falar é uma ideia que surgiu desta confusão.

Que tal se o mesmo governo brasileiro fizesse um edital para transferência de tecnologia para audiovisual (cinema, vídeo etc.)?

Para quem não sabe ainda, lá vai a revelação: todos os equipamentos que usamos em cinema (câmeras, fitas, refletores, ilhas de edição etc.) SÃO TODOS IMPORTADOS. Nada de mais atualmente, com o dólar valendo R$ 1,50 o quilo. Mas sempre tem uma tal de Receita Federal cobrando alíquotas em cima de alíquotas de imposto, tornando cada equipamento importado mais caro do que devia.

Não seria melhor importar tecnologia para fabricar câmeras, fitas, refletores, ilhas de edição etc. aqui no Brasil?

Ou melhor: não seria melhor ainda desenvolver esta tecnologia no Brasil?

23 janeiro, 2011

A propósito da volta da revista SOMBRAS ELÉTRICAS (de novo).
A revista vai voltar com as duas seções de artigos de sempre: Long-Shot e Ver com olhos livres.
Ver com olhos livres é uma seção livre: qualquer texto sobre cinema é bem vindo. Isto é, qualquer texto que seja enviado assim:

- Arquivo Word, Bloco de notas do Windows ou OpenOffice
- Mínimo de 1 (uma) lauda, máximo de 6 (seis) laudas.
- Fonte Arial ou Verdana, corpo 11

Já o Long-Shot é uma seção de artigos em torno de um tema único, também sobre cinema. E neste caso, preciso da ajuda de vocês. Mais especificamente: sugerir um tema único para o Long-Shot. A partir daí, mandem textos, no mesmo jeito dos textos para a seção Ver com olhos livres (
Arquivo Word, Bloco de notas do Windows ou OpenOffice, mínimo de 1 (uma) lauda, máximo de 6 (seis) laudas, fonte Arial ou Verdana, corpo 11)

A revista deve voltar daqui a dois meses. Só depende da colaboração de vocês. Estaremos esperando.

Como vocês podem ver, estou retomando o blog da revista SOMBRAS ELÉTRICAS (que, brevemente, vai voltar logo) Duas razões me levam a isso. Primeira razão: avisar que a revista está viva, que aceitará colaborações e que vai voltar. Segunda razão: garantir o nosso direito à liberdade de expressão, que pelo visto, não é muito levada à sério na ABD Nacional.

Explico melhor. O post anterior, originalmente, foi um e-mail enviado para a lista de discussão da ABD Nacional, a ABDISTAS, e foi barrado pelo moderador. E eu já estou com o saco cheio desta CENSURA disfarçada que ocorre na lista ABDISTAS, da qual faço parte há uns bons dez anos. Dá para entender (não para aceitar, que censura é coisa de ditadura) que o moderador-censor venha a barrar mensagens minhas criticando a diretoria da ABD Nacional e a sua política em defesa dos realizadores de curtas e documentários - isto é, nenhuma; praticamente macunaímica
("ai, que preguiça!..."). Mas estou apenas comentando algo que Cacá Diegues disse.

Será que
Cacá Diegues e a ABD Nacional preguiçosa estão fazendo algum acordo por baixo dos panos, e ninguém sabia?
Sobre a tal de Secretaria da Economia Criativa, recém-criada pelo Ministério da Cultura, um breve comentário, antes que eu me esqueça.

O caderno "Prosa & Verso" d'O Globo, de 8 de janeiro último, fez uma matéria especial sobre a nomeação de Ana de Hollanda para ministra da Cultura, em que dez pessoas escreveram textos dando sugestões de política cultural.

Um deles é o nosso Cacá Diegues. Diz ele (os grifos são meus):

"As indústrias criativas hoje são um fator importante para os PIBs nacionais (...). Esse setor industrial deveria ser do âmbito de um órgão distinto do que cuida de políticas voltadas para o folclore, os costumes regionais, até mesmo para a preservação da memória. não faz sentido um filme de longametragem disputar verba com o maracatu rural de Pernambuco. é como botar num mesmo orçamento uma hidrelétrica e uma olaria. Ambos são importantes, mas tem que ser tratados em órgãos distintos, assim como existem ministérios do Agronegócio e da Agricultura."

Perguntas:

1- Cinema não era uma indústria criativa?

2- já não existe a Ancine, para cuidar do tal de cinema industrial?

3- Desde quando existe um ministério do Agronegócio no governo federal?

4- (Essa pergunta vale uma cerveja) Quem você acha que está se comparando a uma hidrelétrica?

08 novembro, 2009

Oh, céus, o que a Riofilme fez de errado neste mundo para apanhar tanto? (III)

Ninguém entendeu nada até agora?

Tá, vamos explicar melhor:

From: Luiz Fernando TarantoSent: segunda-feira, 2 de novembro de 2009 10:41
Subject: CNCdialogo Resumo 1919
Impedir ação corsária na Riofilme
A LICITAÇÃO ESTÁ MARCADA PARA O DIA 11 DE NOVEMBRO. TEMOS QUE AGIR RÁPIDO.

Juntam-se os governos federal, estadual e municipal para fazer investimento no audio-visual. Formam um fundo de 30 milhões de reais, dinheiro para ninguém colocar defeito. Existe uma empresa, a Riofilme que pode estabelecer formas gerenciais em parceria com instituições financeiras , várias, para produzir filmes e fazer o bolo crescer. Ao invés de organizar uma forma de gerenciamento dos projetos à semelhança do BNDES ou da ANCINE resolvem licitar uma corretora de valores e ao invés de receber pelo dinheiro investido, PAGAM.
Único na hisitória, a corretora não tem com o que se preocupar: bom investimento ou mal investimento, faça chuva, faça sol, ELA SE REMUNERA. E mais: a cláusula que estabelece valores ("Será de até 3,5% ao ano sobre o patrimônio líquido do fundo, podendo ser estabelecido um valor anual mínimo.") estabelece um valor mínimo que não é definido no momento da licitação mais a bel prazer dependendo de quem será o vencedor.Tá tudo errado. Isto está mais parecido com um cartório do que um fundo de gestão que corre todos os riscos da captação no mercado e aí é justo que se remunere. Em nosso caso são recursos que já existem, a corretora não terá risco algum de captação e o que vier a mais aerá muito bem vindo e o que vier a menos o Estado cobre. Assim eu também quero ser capitalista.

Abaixo vai o ponto X do nó no edital da licitação:

11 - FORMAS DE REMUNERAÇÃO

11.1 A vencedora deste Concurso contará com a seguinte forma de remuneração:

11.1.1 Taxa de Administração
Será de até 3,5% ao ano sobre o patrimônio líquido do fundo, podendo ser estabelecido um valor anual mínimo.

A licitação correta que atende nossos interesses é exatamente o oposto do que está sendo feita:. Deve ser uma licitação na qual a empresa vencedora seja a que ofereça maior garantia de solidez, melhor projeto de investimento em filmes e assegure a maior rentabilidade. Quem tem que receber garantias somos nós (os donos do dinheiro), não eles, mero aplicadores. O lucro, aí sim será revertido para projetos de formação de profissionais e público e filmes culturais.
Não devemos esquecer a vocação sócio-cultural da Riofilme, empresa criada quando o govêrno Collor destruiu a Embrafilme e no vácuo, vereadores como Mauricio Azedo, Francisco Milani e Ruça, aliados ao prefeito Marcello Allencar, criaram a Riofilme

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E agora? O que fazer contra mais esta picaretagem contra o cinema brasileiro, cometida quase na encolha?

Protesto não adianta.

Mobilizar as entidades ligadas ao cinema - especialmente as mais interessadas, tipo ABD Nacional, ABRACI etc. - também não: elas estão com a ilusão tão forte de estar "assim com os home" (isto é, íntimas do poder) que não farão nada para contestá-lo.

Resta o Ministério Público. Quem se habilita a entrar com pedido de investigação?

Oh, céus, o que a Riofilme fez de errado neste mundo para apanhar tanto? (II)

De e-mail de Arnaldo Carrilho (ex-presidente da Riofilme, afastado por conta de um enfarte, causado pelos desmando de Cesar Mala) para a mesma lista, em 8 de novembro:

"Walter Benjamin escreveu que o cinema é uma forma de arte que enfrenta o perigo, ameaçado por salteadores à beira da estrada, sua vida sempre por um fio. No caso presente, o inimigo não mais se esconde; é máscara que se descola sem que a toquemos. Aparece-nos logo a face cruel, crudelíssima, a da assimilação pelo Poder Público do que não é de maneira alguma público e comum: as práticas vorazes do neocapitalismo.

A Riofilme foi sendo aos poucos destruída pela "classe", i.e., os que detinham força política para não aceitar qualquer forma de regulação. As folgas desta não eram defeitos da legislação, mas oportunidades que a maioria não quis compreender, pois a distribuidora podia adaptar-se,
caso-por-caso, a cada caso.

Para início de conversa, a "classe" ia ao gabinete do Secretário da(s) Cultura(s), senão ao do Prefeito, para sabotar a magna tarefa da empresa municipal: a distribuição, ou seja, os atos de comércio atacadista do setor audiovisual. Ato de burrice extrema, de vez que, assim sendo, se beneficiava uns poucos, poria por terra qualquer tentativa de programadas co-produções, finalizações, comercializações e lançamentos.

Apesar de sua Lei, simples e direta, contemplando os espectros municipal, estadual, nacional e internacional, havia algo que incomodava as "lideranças", que preferiam acacianamente os "fomentos" às "distribuições". Em outras palavras: as DOAÇÕES de gaita do Erário Municipal, de mão-beijada, como se a Teta das rubricas orçamentárias fossem sugadas na base do ninguém-tasca. A cobiça e a avidez eram tão visíveis, que achei melhor pedir minha demissão (junho de 2003) e partir para bem longe do Rio e do País, o que representou um tremendo alívio para as ratazanas do Cinema Brasileiro.

Para mim, então, representou uma profunda catarse, porque, faz 48 anos, sou homem do CB que o trata com o carinho e a delicadeza que merece, como uma flor em broto. Ou seja, como arte, num País como o nosso obrigatoriamente indutora de conscientização, nunca de alienação.

A tal corretora é o Dragão da Maldade destes tempos de mutação antropológica homologada: os filmes inspirados, de maior ou menor grandeza, serão os Santos Guerreiros que lancetarão o monstro. É obra de paciência, de ver para crer!

Abraços compungidos e solidários à Classe do abaixo-firmado

Arnaldo C. -, juntando-me às condolências de todos pelo desaparecimento do Anselmo."