22 agosto, 2015

DA SÉRIA SÉRIE "FILMES QUE JAIR BESTEIRARO ET CATERVA A-DO-RA-RI-AM..." (XL)

Que também pode fazer parte da séria subsérie "Quanto mais rezamos, mais assombração aparece"...
A assombração, no caso, chama-se Carlos Macedo, ínclito vereador do PRP em Niterói, que já foi tema de um post desta séria série. E o motivo é o mesmo: "ingrinorança" (SIC) e homofobia.
Para quem não lembra: há uns quatro anos atrás, Macedo era líder do governo (SIC, de novo) de Jorge Roberto Silveira na Câmara Municipal de minha cidade, Niterói. E nos estertores deste "governo" e de seu mandato, ele veio com esta:

Líder do governo na câmara, vereador Carlos Macedo propõe mais homofobia nas escolas
24 de agosto de 2011

“Depois de aprovarem uma moção de REPÚDIO ao Frei Beto, simplesmente por ele ter escrito um artigo contra a homofobia, agora o líder do governo, Vereador Carlos Macedo (PRP) apresenta um Projeto de Lei totalmente HOMOFÓBICO!
Macedo pretende VEDAR a distribuição de TODA publicação, filmes ou QUALQUER tipo de material contendo orientações sobre a diversidade sexual nos estabelecimentos da rede pública de ensino do Município de Niterói! Um dos artigos do PL dispõe que no caso de distribuição de algum item sobre diversidade sexual, o Poder Executivo deverá abrir “procedimento investigatório, visando apurar as responsabilidades do ato praticado”.
Na justificativa do Projeto de Lei, o Vereador Macedo, líder do governo de Jorge Roberto Silveira, afirma que com a divulgação de informações que atentem contra a homofobia “iremos em breve formar uma sociedade repleta de pessoas com sérios distúrbios de personalidade”.
O vereador Renatinho (PSOL), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, que na semana passada compareceu na delegacia de policia com o jovem Silaedson Junior (Juninho), estudante da UFF agredido por homofobia e fez uma Indicação Legislativa ao Governador Sergio Cabral para que este tipo específico de agressão passe a constar dos Boletins de Ocorrência afirmou:
“Neste momento de diversas agressões homofóbicas na cidade, quase uma por semana, na Cantareira e outros locais, um Projeto de Lei como esse é um retrocesso. Discordar de um determinado material sobre diversidade sexual é até aceitável, mas simplesmente dizer que todo e qualquer material sobre diversidade sexual deve ser repudiado é demais. Respeito a opinião de todos, mas houve exagero nesse caso. Vou votar contra o PL e darei parecer contrário pela Comissão de Direitos Humanos.”, disse o vereador do PSOL.
Indicação Legislativa: A Indicação Legislativa feita por Renatinho objetiva diminuir as agressões homofóbicas no Estado. Vai no sentido de medir exatamente quantos crimes como este ocorrem no Estado para que se possa pensar políticas públicas que garantam os direitos humanos a todos, como por exemplo a criação de núcleos de atendimento ou delegacias especializadas para o público LGBT.”

Lembraram?
Pois é.
Quatro anos depois, quando ninguém mais esperava, o fantasma da "ingrinorança" Carlos Macedo voltou com sua obsessão favorita, conforme nos fala notícia d' O Globo Niterói (disponível aqui):

Vereador quer banir discussão sobre diversidade nas escolas de Niterói

Carlos Macedo (PRP) tenta aprovar emenda para barrar ensino sobre gêneros e orientação sexual na rede municipal

POR LEONARDO SODRÉ
31/07/2015 12:00 / ATUALIZADO 31/07/2015 15:42

NITERÓI - A Câmara Municipal volta do recesso na próxima terça-feira, e as sessões prometem esquentar com o debate sobre a retirada do tema diversidade da grade escolar. Tramita na casa uma emenda à lei orgânica, de autoria do vereador Carlos Macedo (PRP), que propõe barrar políticas de ensino relacionadas a questões de gênero e orientação sexual nas escolas da rede pública municipal, hoje tratadas de forma facultativa. Vereadores contrários à medida já se mexem para derrubar a proposta.
A inclusão da diversidade de gênero e orientação sexual no currículo escolar foi colocada como uma das metas para o Plano Municipal de Educação, durante a Conferência Municipal de Educação, em junho. No ano passado, foi aprovado o Plano Nacional da Educação, que determina a criação, pelos municípios, de seus próprios planos para os próximos dez anos. O de Niterói ainda não foi feito, mas Macedo se precipitou a excluir a temática do universo escolar, seja em disciplinas obrigatórias ou mesmo de forma complementar.

DECISÃO TOMADA EM CONJUNTO
Segundo o parlamentar, a decisão foi tomada após encontro na presidência da Câmara entre lideranças religiosas, da sociedade civil organizada e um grupo de vereadores. São coautores da proposta de Macedo: Alberto Lecin (SDD), Andrigo de Carvalho (SDD), Beto da Pipa (PMDB), Bira Marques (PT), Bruno Lessa (PSDB), Emanuel Rocha (SDD), José Vicente Filho (PROS), Luiz Carlos Gallo (PROS), Milton Lopes (CAL), Paulo Henrique Oliveira (PPS), Paulo Bagueira (PPS), Priscila Nocetti (PSD), Renato Cariello (PDT), Rodrigo Farah (PMDB) e Vitor Junior (PT).
— O Plano Municipal de Educação ainda não chegou à Câmara, mas eu já estou me antecipando porque estudo o assunto. Nós ainda não sabemos, com clareza, em Niterói, quem defende a questão de ideologia e orientação sexual nas escolas para crianças de 4 a 12 anos. Meu problema é só em relação às crianças. Não tenho qualquer tipo de preconceito e repudio todo e qualquer tipo de segregação. O que não pode é o preconceito servir de pretexto para inserir esses termos de gênero e orientação sexual nas escolas e ferir o princípio sagrado de proteção à criança — defende o parlamentar.
A emenda chegou a entrar em pauta para a votação durante a sessão do dia 30 de junho, antes do recesso, mas foi retirada a pedido do vereador Leonardo Giordano (PT).
— É um absurdo essa emenda. O texto não só representa um atraso no debate das questões de gênero, que alimenta posturas ruins, a exemplo do machismo, como veta futuras proposições legislativas a respeito do assunto. Isso é inconstitucional — argumenta Giordano.
(...)
Pastor evangélico, o vereador Henrique Vieira (PSOL) tenta protocolar na Câmara Municipal um outro projeto de emenda à Lei Orgânica contrário à iniciativa de Macedo. Sua proposta precisa ainda da assinatura de seis vereadores.
— O objetivo é garantir que a diversidade seja compreendida e respeitada já no universo escolar para que ninguém sofra por causa de preconceito. É papel da escola trabalhar questões como respeito, solidariedade e combate ao preconceito. Eles (os vereadores que apoiam a emenda proposta por Macedo) distorcem tudo e contribuem para a criação de um sentimento de ódio — ressalta Vieira.
A emenda recebeu parecer favorável da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara. O GLOBO-Niterói não conseguiu contato com o presidente da comissão, o vereador Rodrigo Farah (PMDB), nem com o vice, Renato Cariello (PDT), por meio de seus telefones pessoais e de seus gabinetes.
(...)

Em português claro: o dr. Carlos Macedo continua com sua burrice seletiva, achando que que discussão sobre gênero e diversidade sexual nas escolas vai "ensinar as crianças a ser gays ou lésbicas".
Pior: através de emenda à Lei Orgânica (para quem não sabe o que é: é como se fosse a Constituição de um município) de Niterói – o que, perante a Constituição Federal, é absolutamente INCONSTITUCIONAL. Se a Carta Magna brasileira diz uma coisa, a constituição de um estado ou a Lei Orgânica de um município não pode dizer o contrário, para dificultar possíveis legislações a respeito deste ou daquele assunto. Ou, como explica um advogado (pessoa que o dr. Carlos Macedo e os outros quinze mistos de "fiscais de fiofó" com cavalos-de-vinte-e-quatro-patas – incluindo os petistas Bira Marques e Vitor Junior (que devem ser da linha covarde-dilmista referente aos direitos do povo LGBT e que depois vão se perguntar porque tanta gente do povo LGBT não vai votar no PT nas próximas eleições...) na mesma matéria d'O Globo:

O texto da emenda tem parecer favorável da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, de acordo com o site da casa, mas o presidente da Comissão de Direito Constitucional da OAB-RJ, o advogado Leonardo Vizeu, vê irregularidades:
— A lei tem que ser contextualizada a cada época, a cada geração. Sem essa possibilidade, tira-se a essência do próprio ato de legislar. A lei tem que atender à necessidade de cada momento. A cláusula pétrea (dispositivos que não podem ter alteração, nem mesmo por meio de emenda) não é indubitável. Ela não pode ser retirada da Constituição, mas pode ser alterada. Quanto à questão de gênero nas escolas, havendo adequação do conteúdo à faixa etária, é assegurado na própria constituição.

Ou seja, tudo o que os senhores cavalos-de-vinte-e-quatro-patas vão conseguir é passar uma vergonha federal num tribunal idem – isto é, se alguém tiver peito para uma ação judicial para contestar essa excrescência.

Vamos explicar de novo ao senhor, dr. Carlos Macedo, e aos outros quinze "fiscais de fiofó" e cavalos-de-vinte-e-quatro-patas – bem devagar, para ver se entendem:

1- Discutir sobre gênero e diversidade sexual não vai "ensinar as crianças a ser gays ou lésbicas". Simplesmente essa discussão tem um grande objetivo: INFORMAR – informar corretamente aos héteros e aos homossexuais sobre sexualidade e orientação sexual. Quem é hétero não vai se tornar gay: vai saber que o povo LGBT é gente como a gente – cuja única diferença dos héteros é manter relações amorosas com pessoas do mesmo sexo - algumas tão duradouras como casamentos. E quem é gay ou lésbica não vai se envergonhar em ser honesto com os outros a respeito de sua sexualidade. Melhor dizendo: ser honesto com os outros... e consigo mesmo. Assim não se junta aos grupos de homófobos que agridem e matam homossexuais. Até porque a ciência já provou: todo homófobo raivoso, no fundo, é um homossexual enrustido, que externa esta agressividade porque não consegue lidarcom sua homossexualidade, nem assumi-la para si mesmo.

2- Relembrando: a discussão é sobre diversidade sexual e GÊNERO. Em português claro: também é sobre homens (gênero masculino) e mulheres (gênero feminino) – sobre a relação entre os gêneros e sobre a igualdade e o respeito mútuo que pode e deve ter entre eles.
Melhor deixar a professora explicar direito:

Para a pedagoga da Universidade Federal Fluminense (UFF) Elza Dely Macedo, doutora em história social e especialista em gênero e educação, banir temas relacionados a diversidade do ambiente escolar representa um retrocesso.
— A questão do sexo ou da sexualidade e as características de gênero mulher e homem são culturais. Quando, por exemplo, a professora pede ajuda dos meninos para uma atividade de esforço físico e das meninas para coisas artísticas como decoração contribui para comportamentos estereotipados. A escola precisa agir desnaturalizando esses papéis. Talvez, com um pouco de cuidado porque muitas famílias terão dificuldades de lidar com isso. A escola tem que tomar para si esse papel. A gente precisa, numa sociedade que tem inúmeras vertentes violentas, eliminar o preconceito com gênero e cor. Há um medo por parte de algumas famílias de se fazer uma indução a homossexualidade, mas não é isso que está se falando. As pessoas precisam saber lidar com as diferenças — enfatiza.

Apenas isso: respeito mútuo entre homens e mulheres, para que o machismo mais exacerbado...
Epa, parece que apliquei aqui uma redundância do pleonasmo, já que o machismo, por si só, já é agressivo – já é o homem, agressivamente se achando superior à mulher, e por tabela agredindo-a sexualmente...
Reformulando: para que o machismo não subsista nas relações homem-mulher. E que suas formas mais deformadas ainda – o estupro, a agressão física – desapareçam.
A não ser, é claro, que o dr. Carlos Macedo e os senhores edis sejam fãs destes "grandes democratas" do vídeo abaixo, em que eles discutem a questão de gênero e diversidade sexual nas escolas...


  
3- Pra que tentar segurar o relógio da história da sociedade, que sempre anda para a frente? Se é porque os senhores edis tem um medo pânico de perder o voto dos evangélicos, meus pêsames: vocês estão pensando no povo da cidade e na sociedade a curtíssimo prazo, por motivação meramente eleitoreira. Do jeito que os políticos estão em baixa na população, vocês acham que realmente vão conseguir os votos que esperam dos evangélicos? Realmente esperam que a meia dúzia de evangelicuzinhos malafaianos, que fazem muito barulho mas não fazem nada de concreto por sua fé, vão indicar para que votem em vocês? Du-vi-de-o-dó.
Agora, se a motivação dos senhores é uma concepção do século retrasado de "moral e bons costumes", ou de respeito exacerbado aos preceitos bíblicos, ficam algumas perguntinhas que não querem calar:

- Dr. Carlos Macedo: como é que posso acreditar nas suas boas intenções em respeito aos preceitos bíblicos se o senhor é acusado de mandar desrespeitar um dos Dez Mandamentos de Deus, que Moisés trouxe lá do alto do monte Ararat, "Não  matarás" – acusação de cujo julgamento o senhor está fugindo usando todos os recursos legais?
- Senhores edis: como é que a moralidade dos senhores, que faz com que impeçam a discussão de assunto importante para a vida em sociedade nas escolas, não impede que possam conviver com um suspeito de ser criminoso?

Para quem não é de Niterói e/ou chegou de Marte ontem depois de meio século de moradia no planeta:
Lúcio Diniz Araújo Martelo, conhecido como Lucio do Nevada, disputou umas duas ou três eleições para vereador, até que em 2012, foi eleito pelo PRP. O problema é que, com isso, deixou um nobre colega de partido sem mandato na Câmara Municipal – justamente, o dr. Carlos Macedo, que ficou com a primeira suplência. E, como se sabe, um suplente assume o mandato quando o titular se afasta, seja temporariamente – por ser nomeado para um cargo executivo, por exemplo – ou definitivamente – por renúncia, por eleição para uma função maior (deputado estadual ou federal)... ou por sua morte.
Dito e feito: por curiosa coincidência, na noite de 25 de outubro de 2012, Lúcio do Nevada foi assassinado com, pelo menos, seis tiros, na porta de casa no bairro Santa Bárbara.
O problema é que polícia que trabalha a sério não acredita em "curiosas coincidências" em crimes deste tipo.
Assim, cinco meses depois, o inquérito chegou a uma conclusão nada surpreendente:

MP denuncia seis pessoas pela morte do vereador Lúcio do Nevada

Carlos Alberto de Macedo, que era suplente de Nevada, é um dos denunciados pelo crime, que aconteceu em outubro

POR 
 / ATUALIZADO 20/03/2013 16:48

RIO — O Ministério Público estadual denunciou o vereador eleito pelo município de Niterói Carlos Alberto de Macedo e mais cinco pessoas acusadas de matar o vereador Lúcio Diniz Araújo Martelo, conhecido como Lúcio do Nevada, eleito em 2012. Além do político, foram denunciados a chefe de gabinete, Mariana Soares Queiroz; os policiais militares Jair Martins de Souza Neto e Damião Washington da Silva Ferreira; o segurança José Carlos Alves de Azevedo; e Marco Antonio Titoneli Barbosa. Eles vão responder por homicídio qualificado (motivo torpe e fútil) e formação de quadrilha. O crime aconteceu no dia 25 de outubro do ano passado, após as eleições. O MP-RJ também pediu a prisão preventiva dos denunciados.
De acordo com a denúncia da 6ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal, da 2ª Central de Inquéritos (Niterói-São Gonçalo), Carlos Alberto, Mariana, Damião e Jair cometiam crimes contra a administração pública, em especial os de corrupção, peculato e falsidade ideológica. “Os crimes praticados pela quadrilha motivaram a morte de Lúcio do Nevada. Deixando de assumir a cadeira de vereador, Macedo teria todo o esquema de corrupção descoberto, e deixaria de se beneficiar, e aos demais quadrilheiros, das vantagens ilícitas”, narra um trecho da denúncia.
Segundo o documento, Carlos Macedo foi o mandante do crime, “autor intelectual e, desde logo, principal suspeito apontado pela população niteroiense”. Mariana Soares, braço-direito de Macedo, contratou os PMs, que encomendaram a morte do vereador a dois executores, Titoneli e outro ainda não identificado, do município de Magé.
Marco Antônio Titonelli, de 38 anos, foi preso na semana passada na casa da tia em Leopoldina, na Zona da Mata mineira. De acordo com a polícia, ele foi encontrado com um revólver calibre 38, dois celulares e um documento falso, e não reagiu à prisão. Ele e José Alves de Azevedo fariam parte de um grupo de extermínio que atua em Magé, na Baixada Fluminense.
No dia 6 de fevereiro, o vereador de Niterói Carlos Macedo (PRP) foi preso, em sua casa, em Pendotiba, por policiais da 78ª DP (Fonseca). A prisão preventiva foi decretada pela Justiça, a pedido do delegado do Fonseca, porque o Macedo é suspeito de ser o mandante do assassinato do vereador Lúcio Diniz de Araújo. Macedo era suplente de Nevada.
Antes disto, no dia 29 de janeiro, foi presa Mariana Soares Queiroz da Silva, chefe de gabinete do vereador Macedo, acusada de envolvimento no assassinato de Lúcio do Nevada. No mesmo dia, foram presas outras três pessoas, entre as quais o sargento do 12º BPM (Niterói), Jair Martins de Souza, acusado de ser um dos executores do parlamentar.
O assassinato do vereador, de 44 anos, pode ter o envolvimento de uma milícia identificada em 2008 no relatório final da CPI das Milícias da Assembleia Legislativa (Alerj). O policial militar Damião Washington da Silva Ferreira — preso com o vereador Carlos Macedo (PRP), acusado de ser o mandante do crime — é citado no documento que indiciou 226 pessoas e levou à prisão dois deputados estaduais, três vereadores e Álvaro Lins, deputado cassado e ex-chefe de Polícia Civil.
Damião - acusado no inquérito que investiga a execução de Nevada de ser agenciador e contratante do crime - aparece no relatório da CPI como chefe de um grupo que explora um esquema de TV a cabo e segurança particular no Centro e na Ponta D’Areia.
Macedo era suplente de Nevada, morto 20 dias após a divulgação do resultado primeiro do turno das eleições municipais. O delegado titular do 78ª DP (Fonseca), Paulo Guimarães, afirma que a motivação para o crime foi política.
O crime ocorreu no dia 25 de outubro do ano passado. Lúcio foi executado a tiros na porta de casa no bairro de Santa Bárbara. Ele chegou a ser levado em estado grave para o Hospital Azevedo Lima, no Fonseca, mas não resistiu aos ferimentos.

Sentiram como o nobre edil é gente muito fina, de reputação muito ilibada: de acordo com o Ministério Público, o dr. Carlos Macedo, como vereador, tinha um esquema de corrupção, que dependia de sua vereança – fora suas possíveis ligações com uma milícia ligada a um ex-chefe da Polícia Civil; e dois dos pistoleiros contratados faziam parte de um grupo de extermínio da Baixada. Tudo gente fina.
Já ficamos felizes quando o dr. Carlos Macedo não foi eleito. Quando a polícia e Ministério Público o pegaram e o prenderam, em 6 de fevereiro de 2013, pensamos: menos um semicoflauta falso moralista.
Infelizmente, o diabo sempre mora nos detalhes. Por exemplo, nos detalhes da lei que os advogados do dr. Carlos Macedo usaram para soltá-lo da cadeia, em maio de 2013. Ou num detalhezinho chato da política mais miudinha, chamado esprit de corps (espírito de corpo) – que, no caso, se funde ao desprezo de suas Excelências pela opinião pública e pelo eleitor, que chama isso, com justa razão, de esprit de cochon (espírito de porco): quando o vereador Paulo Eduardo Gomes (PSOL) propôs a criação de uma comissão processante, para cassar o mandato do dr. Carlos Macedo, não conseguiu o apoio dos colegas.
Claro, não vai escapar do julgamento por júri popular. Mas enquanto esse julgamento não vem (sabe como é a justiça, rápida como fêmea de hipopótamo grávida...), o dr. Carlos Macedo fica aí, com seu misto de falso moralismo com homofobia e oportunismo político. Hipocrisia, para ser mais exato.

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E por falar em hipocrisia...
Ah, hipocrisia, teu nome, cada vez mais, é Silas Mala-Sem-Alça-Faia...
Saiu na coluna de Ancelmo Gois em O Globo de21 de agosto último (para ler ao som de hipócrita, sencillamente hipócrita...):

Deus castiga
Em fevereiro, quando Eduardo Cunha foi eleito presidente da Câmara, o telepastor Silas Malafaia tuitou: "Vitória espetacular, humilhou governo e PT. Vão ter que nos aturar."

Já...
Ontem, após o deputado ser denunciado por corrupção, Silas escreveu na rede: "Nunca apoiei Cunha para deputado, o deputado que apoio no Rio é Sóstenes Cavalcante." Ah, bom!

Viram como ínclito pastor é corajosamente solidário?
Agora, procurar uma rola, como aconselhou um nobre jornalista, ele não procura...


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E por falar em intolerância:
No blogda mesma coluna de Ancelmo Gois:

POLÍTICA

Após criticar Bolsonaro, diretor da Anistia sofre ataques no Facebook

POR TIAGO ROGERO
21/08/2015 16:10
Após publicar e criticar foto em que Jair Bolsonaro e Alberto Fraga comemoram a redução da maioridade penal "atirando" para a câmera, o diretor da Anistia Internacional no Brasil, Átila Roque, teve sua página no Facebook invadida ontem por simpatizantes da bancada da bala.
Sobraram ataques, ofensas e até ameaças.

Francamente, não entendi o que os foliões coxinhas do Baile das Bonecas de 1964 (© Aldir Blanc, em crônica de seu livro Porta de tinturaria) estão tirando as calças pela cabeça, de tanta raiva. Só porque ele falou o óbvio ululante a respeito destes ilustres cavalheiros , membros da "bancada da bala"?
Ora, cambada de coxinhas, #vaiprocurarumarola, vai!

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Diante desta situação – em que cada vez mais se desanimam os que sempre militaram por uma sociedade e uma política melhor – minha indicação para esta séria série só poderia ser uma que, por increça que parível, possa servir como exemplo de não desanimar.
O filme se chama Pride (em português, Orgulho e Esperança – Reino Unido, 2014), de Matthew Warchus. E já se pode encontra-lo no Brasil – em DVD: a distribuidora não se interessou (ou não teve coragem?) em lança-lo nos cinemas aqui de Terra Papagalli. Eis a sinopse: "Em 1984, Margaret Thatcher (que Deus a persiga, e o diabo a carregue...) está no poder e os mineiros estão em greve. Depois do orgulho gay chegar em Londres, um grupo de ativistas gays e lésbicas decide arrecadar dinheiro para enviar às famílias dos mineiros. Mas a União Nacional dos Mineiros parece um pouco constrangida em receber esta ajuda. Os ativistas não perdem o ânimo, decidem entregar a doação pessoalmente e partem em direção ao País de Gales. Assim começa a história improvável de dois grupos que não tinham nenhuma relação, mas se uniram em prol de uma causa."
Puxa, será que este filme vale a pena?

Bem, vejam o trailer e tirem suas conclusões.




23 junho, 2015

DA SÉRIA SÉRIE "FILMES QUE JAIR BESTEIRARO ET CATERVA A-DO-RA-RI-AM..." (XXXIX)

Não tem jeito: esta séria série vai ter de comentar sobre a polêmica da semana, entre um jornalista e um... tem um termo melhor para o seu oponente? Não?
Então vamos lá: entre um jornalista e um... (pigarro) líder religioso.
O jornalista é Ricardo Boechat, âncora do Jornal da Band e comentarista da rádio BandNews FM.
O... (pigarro, de novo) líder religioso já é nosso triste conhecido: Silas Mala-Sem-Alça-Faia.
O mote, para quem ainda não sabe (e há quem não saiba ainda?) são os ataques ocorridos a centros espíritas e terreiros de candomblé mais recentes, perpetrados por "bons cristãos" (assim mesmo, sr. revisor, entre aspas, para não dizer o termo longo porém justo: fundamentalistas evangelicuzinhos intolerantes – obrigado) – inclusive o mais recente, em que uma menina de 11 anos, recém iniciada no candomblé, levou uma pedrada destes "bons cristãos" na cabeça.




Sobre isso, Silas Mala-Sem-Alça-Faia, dando uma de joão-sem-braço, repudiou oficialmente o ataque.
(Aposto que com o seguinte fundo musical: hipocrita / sencillamente hipocrita... Porque até no mundo mineral – copyright Mino Carta – se sabe que pastores fundamentalistas estimulam o ódio às religiões afro brasileiras – CQD este texto do Diário do Centro do Mundo).
E, segundo ouvintes frequentes da BandNews FM, alguns comentários de Boechat bateram na mesma manjada tecla.
Ora, como Silas Mala-Sem-Alça-Faia sofre da Síndrome da Melancia no Pescoço (também conhecida como "Transtorno Obsessivo Compulsivo do Falem-Mal-Mas-Falem-de-Mim"...), lascou dois tuítes seguidos, com sua santa calma SQN:

Avisa ao jornalista Boechat, que está falando asneira, dizendo que pastores incitam os fiéis a praticarem a intolerância. Verdadeiro idiota.

Logo depois:

Desafio Boechat para um debate ao vivo. falar asneira no programa de rádio sozinho, é mole,deixa de ser falastrão.Não incite o ódio .

Bem, qualquer pessoa, por mais santa que seja, não tem sangue de barata. (Nem o próprio Jesus tinha – CQD sua fúria contra os vendilhões do Templo.) E a resposta de Boechat, nesta sexta feira, 19 de junho de 2015, vai entrar para os anais (sem trocadilho, por favor...) do jornalismo brasileiro. Os grifos da transcrição do comentário de Boechat na BandNews FM - que já está no YouTube - são meus.

BOECHAT - "[O pastor Silas Malafaia], figura que dispensa maiores apresentações...
LOCUTORA - Acabou de colocar no Twitter...
BOECHAT - ...acabou de colocar no Twitter dele um desafio pra debater comigo ao vivo, pra eu 'parar de falar asneira no programa de rádio sozinho, que é mole... deixa de ser falastrão... não incite o ódio'. 'Avisa ao jornalista Boechat que está falando asneira, dizendo que pastores incitam os fiéis a praticar intolerância... Verdadeiro idiota'... Ô Malafaia, vai procurar uma rola, vai. Não me enche o saco. Você é um idiota, um paspalhão, um pilantra, tomador de grana de fiel, explorador da fé alheia. E agora vai querer me processar pelo que eu acabei de falar, que é o que você faz. Você gosta muito é de palanque. Eu não vou te dar palanque porque tu é um otário, tu é um paspalhão. O que eu falei e repito, e não vou partir pra debate com você porque não vou te dar confiança, é o seguinte. Que é no âmbito de igrejas neopentecostais que estão acontecendo atos de incitação à intolerância religiosa, mais do que em outros ambientes. Em nenhum momento, é pegar minhas falas que estão gravadas, eu disse qualquer coisa que generalizasse esse comentário, qualquer coisa. Até porque, diferente de você, não sou um idiota. Então você é um homofóbico, você é uma figura execrável, horrorosa, e que toma dinheiro das pessoas a partir da fé. Você é rico. Eu não sou rico porque tomei dinheiro das pessoas pregando salvação depois da morte. O meu salário, os meus bens, o meu patrimônio, veio do meu suor, não veio do suor alheio. Você é um charlatão cara, que usa o nome de Deus, de Cristo, para tomar dinheiro dos fiéis. Você é tomador de grana. Você e muitos outros. Tenho medo de você não, seu otário. Vai procurar uma rola, repetindo em português bem claro. Bom...”
LOCUTOR - Posso chamar aqui...
BOECHAT - Só um minutinho... O pastor João Melo, da Igreja Batista Vila da Penha... onde tem três mil membros... e ali na Vila da Penha onde foi o ataque...
LOCUTOR - Foi em São João de Meriti...
LOCUTORA - ...da menina Kailane...
BOECHAT - ... Kailane... Kailane Campos e a avó dela, recentemente... o ataque de... que não se sabe ainda de quem foi... mas de intolerância religiosa, jogaram uma pedra na menina, levou três pontos na cabeça... o pastor João Melo me mandou uma mensagem pelo SMS... dizendo o seguinte... "Sou pastor da Primeira Igreja Batista em Vila da Penha, onde temos três mil membros, que fica no Largo do Bicão... e ontem"... portanto, antes mesmo do café da manhã do cardeal arcebispo do Rio de Janeiro, dom Orani Tempesta, esta manhã... o pastor João Melo já tinha ontem recebido a menina Kailane, e a família da Kailane... "num gesto pra repudiar o ato de pessoas intolerantes que NÃO representam"... ele enfatiza aqui... " NÃO representam os evangélicos e muito menos o Cristo...Neste domingo, em vez de realizarmos o culto pela manhã, normalmente, como acontece sempre, estaremos participando da movimentação em favor da liberdade e da tolerância religiosa. Abraço, padre (SIC) João Mello." Esse é o tipo de pastor que nós respeitamos e doa quais precisamos pra conduzir os rebanhos de fiéis... é deste tipo de gente que estou falando quando falo que a igreja tem que tomar uma posição... assim como acho que as igrejas evangélicas também tem que tomar uma posição... atitudes como essa, dos pastor João Mello, e não de outros que tentam... criar uma confusãozinha pra crescer na área deles... vai crescer sozinho, malandro... em cima de mim não vai não."

Para quem prefere ouvir, a gravação completa.

Toda a internet, toda a blogosfera foi unânime em afirmar: Ricardo Boechat mitou, ao falar uma coisa que estava engasgada em todas as pessoas – pelo menos, as que tem o número completo e certo de neurônios no cérebro, não tem só o Tico e o Teco.
Isto é, quase todas.
É que teve gente que se incomodou... com a rola.
Sério.
Algumas pessoas se incomodaram com o termo reconhecidamente chulo usado pelo Ricardo Boechat ("Vai procurar uma rola, vai") e reclamaram. Como exemplo, transcrevo aqui (contando o milagre mas não falando o nome do santo...) um comentário no Facebook:

(...), acho o comentário do Boechat homofóbico e machista. Não é em nada melhor que nada que o Malafaia diz. A perversidade de uma figura como o Malafaia não pode servir pra justificar que se diga qualquer coisa apenas porque o outro cara é, sim, um completo idiota.

E, logo depois:

(...) Só acho que um cara como o Boechat pode explodir melhor que isso, sem reforçar uma opressão de gênero. Não acho que seja cobrar correção política, porque o problema não é o uso de palavrão. O problema, penso eu, é no sentido de rebater um cara como o Malafaia usando um insulto que carrega um preconceito pejorativo e que gera inclusive crimes de ódio, como a gente sabe. Até quando as pessoas vão ficar "insultando" outras chamando de "viado", "bicha" ou mandando "procurar rola"? Chamar um jogador de "macaco" provoca uma celeuma internacional (com total motivo). mas chamar outro de "maria" ou berrar "bicha" em uníssono é de boa?

Até que ele não deixa de ter razão.
O problema é que, no contexto de tal situação, chamar a atenção para a "homofobia" (ou proto homofobia) do "Vai procurar uma rola, vai" do Boechat é o mesmo que procurar chifre em cabeça de cavalo ou pelo em ovo.
Explico melhor.
Não somos perfeitos: somos seres humanos. E, se alguém me mostrar uma pessoa reputada como 100% perfeita, eu lhe mostrarei que é como a falecida Alice Steen, do romance A sucessora, de Carolina Nabuco: por baixo daquela perfeição, há um esqueleto (ou esqueletos) no armário.
Não, amigos, ninguém é perfeito. (Nem este escriba que vos fala.) Como disse Charles Chaplin no discurso final de O grande ditador: Não sóis máquinas! Homens é que sóis! E com o amor da humanidade nas vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar… os que não se fazem amar e os inumanos!
Não somos máquinas, robôs, ou computadores: somos seres humanos.
E seres humanos com seus altos e baixos e, sobretudo, com sangue nas veias.
Neste caso, por altos e baixos, entenda-se: por mais que nos conscientizemos da homofobia, da discriminação (étnica, religiosa, de gênero, de orientação sexual etc., etc. e tal) e nos esforcemos para conseguirmos nos livrar de ideias conservadoras de gerações anteriores (e, sendo sincero: de nossos pais) e em lutar para que elas sumam da sociedade e de nós mesmos, não tem jeito: em ocasiões em que (como se dizia no tempo em que os bichos falavam...) perdemos a tramontana, tais condicionamentos conservadores, que ainda estão bem lá no fundo de nossa psique, quase sempre vem à tona.
Isso se continuarmos considerando expressões como "Vai procurar uma rola, vai" somente como ofensas. São sim. Mas, como disse outra facebookiana (com a qual eu concordo), expressões como esta – e mais as célebres "vai tomar no cu", "é do caralho", "vá se foder" e "não-sei-o-quê de cu é rola" (que é contraparente do "Vai procurar uma rola, vai"...) – há muito tempo extrapolaram o sentido inicial, de homofobia ou machismo. São usadas por heteros, homos, homens, mulheres, enfim, por seres humanos quando explodem de um jeito que os singelos "vai catar coquinho", "vai pentear macacos" e "vai lamber sabão" (as duas últimas do tempo em que vovó era criança e J.Carlos brilhava na revista Careta – inclusive com charges falando da máquina de pentear macacos, abaixo) não são suficientes para expressar nosso sentimento. Já vi muitos gays (gays convictamente assumidos) xingando seus próprios pares de "bicha" ou "viado". E eu mesmo já perdi a paciência com as m... de Silas Mala-Sem-Alça-Faia e o mandei dar meia hora de bunda no Facebook. 
(E você mesmo, seja sincero: você nunca xingou um juiz de futebol de "viado" quando ele marcou uma falta ou um pênalti contra seu time? Seja sincero MESMO...)


A máquina de pentear macacos de J. Carlos

Ou, como bem explicou Alex Antunes, em seu blog no Yahoo!:

Porque a “rola” de Boechat não me parece nem homofóbica nem antifeminista? Primeiro, porque se trata do embate de dois homens heterossexuais – não haverá aí a ofensa que haveria se alguém se dirigisse assim a uma mulher ou gay. Segundo, porque ela converge com o fato de que quem é obsessivamente fixado na sexualidade alheia é porque tem problemas com a sua própria. O que Boechat disse (grosseiramente, é claro) é que quem se satisfaz não perde seu tempo todo tentando impedir a satisfação alheia – e que a frustração de Malafaia deve ter a ver com a homossexualidade que tanto o perturba. A procura de Malafaia por polêmica poderia ser substituida por outra.
Terceiro, porque Boechat dessacralizou numa só frase essa inversão opressiva do politicamente correto e a suposta “autoridade” de Malafaia. Malafaia não é nada. Com seu sotaque carioca e seu arroubo de sinceridade, Boechat restaurou por um momento libertador o “homem brasileiro”, com o toque de improviso e malandragem que costumávamos conhecer – aquele homem que ainda temos que melhorar, não piorar. Teve algo de xamânico essa fala. Causou um colapso no “pastor”, que tuitou seguidamente dezenas de vezes, se expondo cada vez mais, e culminou com um ato falho: “eu vou te engolir” (risos).


Calma... este é um meme de Mala-Sem-Alça-Faia na internet

Claro, tenho outra teoria. Noves fora estes condicionamentos conservadores que ainda estão em nossas cabeças, talvez o Boechat tenha feito alusão às conclusões mais recentes da ciência e da psicologia a respeito da homofobia mais raivosa. Diversas experiências científicas são unânimes na mesma conclusão: grande (mas grande MESMO) parte dos homófobos mais raivosos são assim porque, no fundo, tem fortes tendências homossexuais, e a raiva é para reprimi-las. Destruindo (ou pregando a destruição) do outro (isto é, do povo LGBT), ele não corre risco de assumir seus impulsos gays. CQD este trecho de um documentário, que, aliás, já citei aqui em outros posts desta séria série (como este aqui). Mas isso, caros leitores, é uma teoria.
O fato é que, ao prestar mais atenção para o "Vai procurar uma rola, vai" e se ofenderem, as pessoas deixam de lado os fatos mais importantes do comentário do Boechat:
1- em algumas igrejas neopentecostais (não todas, e nem Boechat generalizou), estão acontecendo atos de incitação à intolerância religiosa, mais do que em outros ambientes. (Tipo assim: histéricos pastores berrando aos seus fiéis que "lugar de homossexuais é no inferno!", e alguns fiéis - cujo Tico e o Teco, no mínimo, não funcionam direito - entendem que devem apressar a viagem de gays e lésbicas para o inferno, espancando-os até a morte.) E, pior ainda: em outras igrejas, uma incitação a que se rasgue a Constituição Federal, quando alguns fiéis destas igrejas andam com camisetas ou adesivos com os dizeres: "Bíblia sim, Constituição não!" – troço que só o atual ministro-cara-de-paisagem da Justiça não vê;
2- que o hipocrita / sencillamente hipocrita Silas Mala-Sem-Alça-Faia vive sim, de doações de fiéis para Cristo (e ganha bem até demais em cima delas), um dinheiro que o próprio Cristo nunca recebeu, nem faz questão de receber, obrigado – conforme "disse" o próprio Cristo, via Gregório Duvivier em artigo para a Folha de S. Paulo. Isto é um fato comprovado por diversas entrevistas do próprio Silas Mala-Sem-Alça-Faia, como esta aqui. Sem a permissão dele, um trecho, em que a motivação financeira, mais do que a motivação religiosa, está mais do que clara:

iG: Quanto ganham em média os pastores da sua igreja? 
Silas Malafaia: Ninguém ganha igual. Cada um tem o seu valor. Tenho pastores que ganham entre R$ 4 mil e R$ 22 mil. Pastores que mando para outro estado, pago casa, água, luz, escola dos filhos, gasolina. Dou dignidade aos caras. Não trabalho com zé bobão. Tinha dois pastores que eram advogados e possuíam escritórios de advocacia. Cheguei e perguntei: amigo, o que você quer ser? Pastor ou advogado? Qual é teu chamado? Pastor? Então fecha essa porcaria e vem comigo. Não tenho gente que não ia ser nada na vida e virou pastor.


e
3- que o hipocrita / sencillamente hipocrita Silas Mala-Sem-Alça-Faia também é um dos que incitam a intolerância homofóbica. Na mesma entrevista de Silas Mala-Sem-Alça-Faia, um exemplo já célebre, que já citei em outros posts, da piedade do ínclito pastor (o grifo é meu):

iG: Mas o senhor não acha que deveria ser feito algo para evitar as discriminações e agressões físicas aos gays? 
Silas Malafaia: Não desejo que ninguém morra, ok? Mas os homossexuais dizem que foram assassinados 260 deles no ano passado. Cinquenta mil pessoas foram assassinadas no Brasil no ano passado. O número de homossexuais mortos representa 0,52%. Um dado que eles não falam: grande parte das mortes é resultado de briga de amor entre eles. Que papo é esse? No mínimo, uns 50%. Homofobia é falácia de ativista gay para manter verbas para suas ONGs para fazer propaganda de que o Brasil é um país homofóbico. Homofóbico uma vírgula, amigo.

Briga de amor entre gays?
Então tá.
Em São Paulo, uma jovem de 20 anos, bissexual assumida, foi morta com 12 tiros por um homem (que, certamente, devia estar apaixonado por ela, não é, Silas Mala-Sem-Alça-Faia?), quando ia para a Parada LGBT.
E, no Espírito Santo, ocorreu mais uma "briga de amor entre gays". Nesta"briga", Rafael Melo, de 14 anos (Deus, 14 anos!...), foi morto a pauladas e pedradas. Principal suspeito: o tio do garoto. Por coincidência, cinco anos depois que outro jovem de 14 anos, Alexandre Ivo, foi morto em São Gonçalo por um grupo de homens que, certamente (atenção: isto é uma IRONIA), se apaixonaram por ele. Não é mesmo, Silas Mala-Sem-Alça-Faia?
(Para registro: depois do assassinato da juíza Patrícia Acioli, a Comarca de São Gonçalo – do qual ela era juíza titular – até hoje não marcou o julgamento destes brucutus. Por que será?)
E não devemos nos esquecer de uma coisa: Ricardo Boechat trabalha na Band – na rádio BandNews FM e na TV, onde é âncora do Jornal da Band. E, como bem lembrou outro artigo do Diário do Centro do Mundo sobre a resposta de Boechat a Silas Mala-Sem-Alça-Faia, as igrejas neopentecostais, que alugam horários na grade de programação, são justamente as responsáveis por uma fatia enorme do faturamento da emissora de TV. Na lista, a Igreja Universal do Reino de Deus (ela mesma proprietária de uma rede de TV, a Record), a Igreja Internacional da Graça de Deus, de um dissidente da Universal chamado R.R Soares... e, last but not least, a Assembléia de Deus Vitória em Cristo, de Silas Mala-Sem-Alça-Faia.
E esse mesmo artigo transcreve mais uma ameaça do piedoso Silas Mala-Sem-Alça-Faia:

Como era de se esperar em se tratando deste grande caráter, Silas já prometeu no Twitter: “Vou perguntar ao meu amigo Johnny, dono da Band, se a política do grupo é caluniar e difamar pessoas. UMA VERGONHA!”
A essa altura, ele provavelmente já falou mesmo com Johnny e a roda está girando. Só para lembrar: Rafinha Bastos foi demitido do CQC por causa de uma piada estúpida com a mulher de Marcos Buaiz, sócio de Ronaldo Fenômeno.
A grana evangélica opera milagres na Bandeirantes. Tomara que Boechat escape de uma retaliação tão baixa. A imagem da emissora sofreria um dano enorme (embora o que valha, nessas horas, seja a grana, e dane-se a imagem).

Isso é possível acontecer?
Bem, na mesma semana em que Boechat mandou Silas Mala-Sem-Alça-Faia procurar uma rola, apareceu na internet um abaixo assinado eletrônico em favor de um radialista catarinense, chamado Robson Dias. Um trecho do texto do abaixo assinado:

Ontem a Rádio Transamérica Pop de Balneário Camboriú (SC) afastou o radialista Robson Dias do seu programa matinal. Segundo informações do próprio e de relatos em redes sociais, o fato ocorreu porque uma comissão de pastores evangélicos, insatisfeitos com as opiniões do radialista, pressionaram a direção da rádio para que o mesmo fosse demitido. A princípio a direção ignorou o pedido e a tal comissão, ao que parece, chantageou anunciantes da rádio com boicotes. Fato, que acabou por selar o afastamento do Robson Dias do seu programa.

Lembrando: Silas Mala-Sem-Alça-Faia se declara amigo de Johnny Saad, manda chuva do Grupo Band, e disse que vai falar com ele. Por outro lado, Boechat é um jornalista respeitado e âncora do principal jornal da emissora. Quem será o mais valente nesta luta do rochedo com o mar?
Enquanto isso, Silas Mala-Sem-Alça-Faia colhe os... digamos... frutos da histeria que plantou. Em um post seu no Facebook, em que ele pede doações, várias pessoas declararam doações de... rolas.
Fora os memes. A seguir, para rirmos um pouquinho, uma pequena seleção deles (especialmente criados para outra séria série, #NeguinhoÉMauPracaráiVéio).

  

  

  

  







Espero que isso esteja bem esclarecido. Se alguém não entender, faz parte. Agora, se alguém se recusar a entender (especialmente os fãs de Silas Mala-Sem-Alça-Faia, Marco Feliciânus, Levy (In)Fidelix, Jair Besteiraro et caterva), breve recado: vão procurar uma rola, vão!

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P.S.: Certo, isso já é antigo, mas não posso deixar de comentar.
É chato ver que certas pessoas são como vinho mal acondicionado na adega: viram vinagre. À medida que envelhecem, não ficam melhores: pioram, apodrecem.
Como o cartunista e escritor Ziraldo, "o homem que nunca brochou" (segundo ele próprio...). Em entrevista ao jornal mineiro Hoje em Dia, Ziraldo não se limitou a criticar as personagens de Fernanda Montenegro e Nathália Timberg na novela Babilônia, de Gilberto Braga: preferiu – tal qual um Levy (In)Fidelix ou um Silas Mala-Sem-Alça-Faia qualquer – esculachar a presença de personagens gays e lésbicas na teledramaturgia:

(...) Casais homossexuais convivendo numa boa e circulando pelas ruas sem olhares inquisidores. Onde? Só mesmo na ficção. “O problema da homossexualidade é que ela está hiperdimensionada. A TV Globo acha que está fazendo um grande serviço ao ‘modus vivendi’, ao dar chance aos homossexuais de assumirem a sexualidade deles”.
O cartunista, de 82 anos, recorreu a um recente e polêmico episódio sobre a questão no país – a cena do beijo gay entre as atrizes Nathalia Timberg e Fernanda Montenegro, na novela “Babilônia”. “A Fernanda Montenegro não tem direito de fazer apologia do afeto homossexual. Grandes fãs dela estão estarrecidos com isso. E mesmo que ela estivesse pensando em ajudar as mães dos homossexuais... Mas qual é a porcentagem de mães de homossexuais?”, avalia.
Amigo de Guimarães Rosa (1908-1967), Ziraldo exemplifica o extremo à esta situação ao cutucar um aspecto na obra-prima do escritor de Cordisburgo. “No livro ‘Grande Sertão: Veredas’, Guimarães Rosa não teve coragem de fazer Riobaldo assumir a homossexualidade dele. Inventou que Diadorim era uma mulher vestida de homem. Isso é uma coisa mineira”.

Ziraldo-que-nunca-brochou (uma ova!...) a época era outra. E talvez a ideia de Diadorim era surpreender o público – fazê-lo pensar uma coisa, quando era outra. De qualquer forma, parece que ele não leu Buriti, uma das novelas de Corpo de baile (1956), do mesmo Guimarães Rosa – logo, nem soube da relação entre Lala e Glorinha (e, desde já, me desculpem o spoiler...). Muito menos viu o belo filme de Carlos Alberto Prates Correia, Noites do Sertão (1984), baseado em Buriti. Mas tudo bem, ainda dá tempo, Ziraldo-que-nunca-brochou (aqui, ó!...).
De qualquer forma, fica o comentário do site Guia Gay BH, que tira as palavras de minha boca:

E pensar que Ziraldo é autor do livro infantil "Flicts", que defende respeito às diferenças e a superação do preconceito por quem é vítima de discriminação. Ele mesmo não entendeu o que escreveu, pelo jeito.

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Agora, duas indicações de filmes para esta séria série, diretamente da Mostra New Queer Cinema, organizada por Luzes da Cidade – Grupo de Cinéfilos e Produtores Culturais e Insensatez Audiovisual, com curadoria de Mateus Nagime e Denilson Lopes. Começou na Caixa Cultural de São Paulo (28 de maio a 10 de junho de 2015) e veio para o Rio de Janeiro (9 a 21 de junho de 2015). Suas próximas paradas são Fortaleza (CE – a partir de 11 de agosto), Curitiba (a partir de 25 de agosto) e Salvador ( a partir de 2 de setembro). Maiores detalhes no site da Mostra New Queer Cinema.
As indicações são: O animal sonhado (Brasil 2015) e The Watermelon woman (EUA, 1996).
O animal sonhado, que abriu a Mostra New Queer Cinema no Rio de Janeiro, é uma produção cearense, de realização coletiva (dirigido por Breno Baptista, Luciana Vieira, Rodrigo Fernandes, Samuel Brasileiro, Ticiana Augusto Lima e Victor Costa Lopes). Cada um dirigiu um segmento do filme, cujo tema comum é o desejo uma pulsão presente, pulsante, que fica reprimida em alguns episódios (como o do pai, que tem um desejo doentio pela filha adolescente que, claro, nunca conseguirá realizar), mas que, à certa altura de outros segmentos (como diria aquela canção do Gonzaguinha), não da mais pra segurar.
Já The Watermelon woman é mais antigo (de 1996), mas também valeria a pena ser lançado. A "The Watermelon woman" – em português, "Mulher Melancia" (não confundir com Andressa Soares, a nossa Mulher Melancia, dançarina que também posou para revistas masculinas etc. e tal) – era o apelido de Fae Richards (Lisa Marie Bronson), uma atriz negra da Filadélfia, que apareceu em vários filmes na década de 1930 e, que, supostamente, teve um longo caso com Martha Page (Alexandra Juhasz), uma mulher branca, uma das poucas diretoras de cinema de Hollywood. Pelo menos, essa é uma das teorias que Cheryl (Cheryl Dunne, também diretora e roteirista), uma jovem cineasta negra e lésbica, quer tirar a limpo em sua pesquisa para um filme sobre a Mulher Melancia norteamericana. Enquanto leva sua pesquisa adiante, Cheryl se envolve com uma mulher branca, Diana (Guinevere Turner).
Conseguirá Cheryl saber ou não a verdade sobre a relação entre a Mulher Melancia norteamericana e Martha Page?
Será que a relação entre Cheryl e Diana irá adiante?
Será que esta relação entre Cheryl e Diana causará tensões entre Cheryl e Tamara (Valerie Walker), sua amiga e parceira?
Bem, respondo com outra pergunta: que tal insistirem com seu distribuidor de cinema favorito para que The Watermelon woman e O animal sonhado sejam exibidos nos cinema, hein?

(Em tempo: os diretores de O animal sonhado falam sobre o filme em um vídeo para a página do site Cine Festivais no YouTube. Sobre The Watermelon woman, há também no YouTube um trailer do filme e uma cena com Camille Paglia. Enjoy.)



29 abril, 2015

ANTÔNIO ABUJAMRA (1932-2015)


DE UMA HIPOTÉTICA ENTREVISTA DE ANTÔNIO ABUJAMRA COM ANTONIO ABUJAMRA EM PROVOCAÇÕES

O senhor prefere a ordem ou o caos?

Bom, o caos é maravilhoso, mas é sempre ordenado... E a ordem é sempre caótica...

E o que o senhor acha das utopias?

"E para que serve a utopia? Eu dou um passo, o teatro dá dois passos. Eu dou dois passos, o teatro dá quatro passos. A utopia serve para isso: continuar caminhando."
(Discurso de agradecimento no Festival Hispânico de Madri, 1996)

Como está o seu país?

"O governo nunca valorizou a inteligência no nosso país. O estado do Brasil é resultado da estupidez dos governantes, dos arquitetos, dos intelectuais, dos jornalistas... de todo mundo. É a nossa estupidez."
(Portal UOL, 2010)

E da América Latina?

"Não tenho mais esperança em nada. Odeio a esperança. A esperança já f... a América Latina."
(O Estado de S. Paulo, 2012)

O senhor prefere o sinal verde ou o risco?

A vida sem o risco não vale a pena... Eu quero o arame esticado, bem alto, e nenhuma rede de proteção. O resto é burocracia barata.

"Tive mais de cem fracassos. E, para mim, não tem a mínima importância. Para um artista, o fracasso e o sucesso são iguais. Os dois são impostores."
(O Estado de S. Paulo, 2012)

"Esteticamente, o fracasso é mais interessante que o sucesso. Sou um homem de fracassos."
([In]Veja, 1989)

O que é que não fez e gostaria de ter feito?

Escrever Dom Quixote.
(Nota deste escriba, para os que nunca passaram perto de uma livraria ou biblioteca: obra prima do escritor espanhol Miguel de Cervantes.)

E o que é que o senhor fez e gostaria de não ter feito?

Ter lido coisas que absolutamente não me interessavam, e que eu lia porque eu queria saber o que era a vida.

O senhor costuma se arrepender?

Não. Como cantava Edith Piaf: "Non, non, je ne regrette rien" [Não, não, eu não me arrependo de nada.

"Quem não pensa que é sério quando jovem? Quando jovem eu pensava dirigir uma peça para mudar o mundo. Tinha uma fúria dedicada. A maioria que quis continuar sério provocou o que está acontecendo no País."
(IstoÉ/Senhor , 1988)

O senhor já fez alguma coisa que jamais revelaria a alguém? Já cometeu alguma transgressão? Se não falar nós pensaremos o pior...

Bom, as minhas indiscrições... eu fui muito indiscreto, viu?

Diz a verdade: o senhor cometeu grandes gafes na vida?

Eu vivi... Já é uma gafe suficiente, não é?

O senhor chora? Chora diante da beleza?

"Só choro quando as pessoas choram. Se você chorar agora, eu choro (risos)".
(O Estado de S. Paulo, 2012)

Como você gostaria de morrer?

Como Georges Bernanos, olhando a morte de frente e desafiando-a com a famosa frase balzaquiana: "Á nós dois, agora!"

Pra onde você pensa que vai depois da morte?

Jean-Paul Sartre diz que morte transforma a vida em destino. Meu ponto final: crematório.

Por favor, eu sei que o senhor deve estar me achando medíocre, que as pessoas que falam comigo devem ser medíocres... Por gentileza, defina o que é a mediocridade.

Como a arte de não ter inimigos.

O senhor esteve muito presente na televisão, como diretor, como ator... O que acha da televisão?

"Acho muito difícil fazer uma coisa boa em televisão. Os donos das emissoras não querem que o povo realmente saiba das coisas. Eles querem é Ibope, querem faturar e faturam muito bem."
(Portal Terra, 2004)

Que pergunta você gostaria que eu tivesse feito e não fiz?

Como você veio parar nas artes.

Então responda: como você veio parar nas artes?

Aonde?

Nas artes.

Porque tentei britar pedras e não aguentei, era muito difícil. Aí, passei para as artes, para o teatro.
(Caros Amigos nº 54 - Setembro de 2001)

Que pergunta você gostaria que eu não tivesse feito?

Não é uma pergunta boa! É uma pergunta medíocre e eu detesto perguntas medíocres. "Por que você não gosta de dar o rabo? Por que você não gosta de dar isso? Por que não gosta de dar aquilo?" Não é uma boa pergunta. Dar entrevistas? Não sou bom para dar entrevistas. Não sou uma Marilena Chauí, que sabe responder bem. Não sei fazer entrevistas boas, sei fazer entrevistas pensadas, organizadas, principalmente porque durante 51 anos dando entrevistas só me foderam nas entrevistas. Eu falo uma coisa, sai outra. Depois: "Ah, não, conosco não, conosco não". É tudo mentira, é tudo igual. Os gutemberguianos... Eu odeio esses gutemberguianos. Veio a eletrônica e acabou Gutemberg, acabou... Vocês não existem mais. Dar entrevista? Eu não quero saber de dar entrevista. Vou responder aqui de má vontade, irritado. Odeio dar entrevistas, principalmente para a Caros Amigos.
(Caros Amigos nº 54 - Setembro de 2001)

Qual é o grande equívoco que as pessoas cometem ao falar do senhor?

Achar que eu sou o Antônio Abujamra.

Para terminar: o que é a vida?

É preciso ter a dor de sentir que a vida não tem roteiro... E na vida não existe nada seguro. Quem gosta de abismos tem que ter asas. Cuidado, minha gente.

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(Em tempo: as citações que não foram indicadas foram extraídas de dois vídeos disponíveis no YouTube, com entrevistas que Antônio Abujamra fez para seu programa Provocações... com ele próprio. Divirtam-se. E, se quiserem realmente homenagear Abu, façam o seguinte: de vez em quando, façam o que desejam; "enforquem-se na corda da Liberdade".)




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Antônio Abujamra no cinema
1989 - Festa - direção: Ugo Giorgetti - Velho
1989 - Lua Cheia - direção: Alain Fresnot - Veríssimo
1990 - Os Sermões - A História de Antônio Vieira - direção: Júlio Bressane
1991 - Olímpicos - direção: Flávia Moraes (curtametragem)
1992 - Atrás das Grades – direção: Paolo Gregori
1992 - Perigo Negro (episódio de Oswaldianas) - direção: Rogério Sganzerla - presidente do Estrela Futebol Clube
1993 - Oceano Atlantis – direção: Francisco de Paula
1995 - Carlota Joaquina, princesa do Brazil - direção: Carla Camurati - Conde de Mata-Porcos (um dos brasileiros que ganhou título de nobreza do rei D. João VI, por ter posto dinheiro no 1º Banco do Brasil...)
1996 - Quem matou Pixote? - direção: José Joffily - Advogado
1996 - Olhos de Vampa - direção - Walter Rogério (curtametragem)
1998 - Caminho dos Sonhos - direção: Lucas Amberg - padre Otero
2000 - Villa-Lobos - Uma Vida de Paixão - direção: Zelito Viana - diretor do Teatro Municipal
2005 - Concerto Campestre, com direção de Henrique de Freitas Lima - major Eleutério Fontes
2005 - Quanto vale ou é por quilo? - direção: Sérgio Bianchi
2008 - É Proibido Fumar - direção: Anna Muylaert
2010 - Syndrome - direção: Roberto Bomtempo
2011 - Assalto ao Banco Central - direção: Marcos Paulo - Moacir Gama
2013 - Babu - A Reencarnação do Mal - direção: Cesar Nero
2012 - Brichos - A Floresta é Nossa - desenho animado (voz)
2015 - Que Horas ela Volta? - direção: Anna Muylaert