13 junho, 2018

DA SÉRIA SÉRIE "FILMES QUE JAIR BESTEIRARO ET CATERVA A-DO-RA-RI-AM..." (LXXI)

Antes de entrar no assunto em pauta desta séria série, permitam-me transmitir um breve recado à reitoria, pró-reitorias e, principalmente, coordenadores de seus cursos de ciências jurídicas (Direito, para ser mais claro) da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ):
Se não for muito difícil, gostaria que reforçassem, em seus cursos de direito, o ensino das leis de combate ao racismo e suas consequências, tanto penais – Artigo 140, parágrafo 3º do Código Penal, que trata de injúria racial, punida com reclusão de um a três anos e multa, além da pena correspondente à violência, para quem cometê-la, e a Lei n. 7.716/1989 quanto sociais.
De preferência, gostaria que tais aulas fossem reforçadas para valer para o grupo de estudantes de Direito da PUC-RJ que foram torcer nos Jogos Jurídicos Estudantis, em Petrópolis (RJ), que terminaram no último dia 3 de junho. E que terminaram com demonstrações explícitas de racismo dos estudantes de Vossa PUC-RJ contra alunos de direito da UERJ, Universidade Federal Fluminense (UFF) e Universidade Católica de Petrópolis (UCP – ou seja, nenhuma sororidade entre as universidades católicas...): os moços jogaram bananas na quadra e imitaram macacos – cretinice que chegou ao clímax (é força de expressão, porque racismo é brochante...), principalmente durante a final do handebol feminino entre PUC-RJ e UFF chamaram as atletas da UFF afrodescendentes de"macacas". (Se essa ideia de jerico – no mínimo – foi para atrapalhar o jogo, não adiantou nada: o time da UFF ganhou.)
Isso, meus senhores, é muito importante para eles próprios, os estudantes da PUC-RJ: evita, no mínimo, que em um futuro, eles deixem de passar vergonha tanto no débito como no crédito, como agora.
No débito porque as outras universidades estão deitando e rolando em cima dos senhores, entre gozações do tipo Já dizia o ditado dos old times do direito uff:"Na PUC só tem cuzão" kkkk e protestos contundentes, como mostram os vídeos abaixo:



E no crédito porque, além de perderem o título geral e ficarem de fora próximos dos Jogos Jurídicos, ganharem de "presente" uma sindicância interna da própria PUC-RJ e uma nota oficial de protesto, assinada por juízes afrodescendentes, ainda tem as consequências sociais que já lhe falei: a menos que o dono seja um bolsonarete, qual escritório de advocacia vai contratar uma besta quadrada destas? (E, para efeito na vida privada: qual moça ou rapaz vai namorar um/uma imbecil deste quilate-mas-não-morde?)
Fora o dano para a própria imagem da PUC-RJ, já muito arranhada por casos de racismo dentro dela – apesar de seu pioneirismo referente à inclusão social, como os senhores mesmos relembram em sua nota oficial a respeito:

Permanecemos fieis ao pioneirismo na promoção da diversidade e da igualdade racial, pois foi a PUC-Rio o berço dos pré-vestibulares comunitários para negros e carentes, a primeira instituição particular brasileira a instituir política de acesso e permanência de alunos negros e carentes, mediante concessão de bolsas de estudo, auxílio financeiro para custeio de despesas de alunos bolsistas, por meio do programa FESP (Fundo Emergencial de Solidariedade da PUC-Rio) e a primeira instituição a oferecer disciplina na graduação sobre ações afirmativas.

Não só o racismo arranha a imagem dos cursos da PUC-RJ: o seu curso de economia já teve sua imagem bem arranhada pelo febeapá cometido pela ekipekonomica (copyright Elio Gaspari) de FHC (leia-se: populismo cambial), nos anos 1990 – que incluía quadros deste nobre curso, como Gustavo Franco e Pedro Malan. Os senhores não vão querer que seu curso de direito sofra o mesmo desprestígio, não é mesmo?

Sem mais para o momento,
Obrigado de nada.

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Ah, sim, por falar em Jogos Estudantis: sabiam que houve um casamento entre duas estudantes da UFF, Larissa Maia e Vanessa Faria,durante os Jogos Universitários de Comunicação Social (JUCS), que aconteceram em Vassouras (RJ), no feriado de Corpus Christi deste ano de 2018? 
Pois é. Isso ainda merecerá um novo post desta séria série. Por enquanto, ficamos com o fato: como os JUCS parecem diferentes em sua mentalidade, em comparação com os Jogos Jurídicos, né não?

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Dados os breves recados, voltemos à vaca fria.

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Moça, você é machista.
Não, não estou falando da gentil e combativa leitora que por acaso deve estar lendo estas mal traçadas linhas.
É que me lembrei de uma página no Facebook com este nome ao ler esta notinha publicada na coluna do Ancelmo Gois n' O Globo  (aconselho, aliás, à gentil e combativa leitora que coloque um copo d'água e sal de frutas à sua disposição, após acabar de ler):

ELEITORA DO BOLSONARO
Desembargadora que insultou Marielle agora dispara contra as feministas
POR ANCELMO GOIS
04/06/2018 06:15

Reprodução da publicação da magistrada | Reprodução

A desembargadora do Rio Marília Castro Neves, que divulgou calúnia contra Marielle, voltou a disparar farpa no Facebook. Num post, ela, que se declara eleitora de Bolsonaro, pede que, caso venha a morrer, ninguém permita que sua morte seja usada pelas Feminazis (uma mistura de feminista com nazista) “como bandeira para sua causa perdida”.

Isso me leva um pedido ainda mais importante: alguém que possa me ajudar a responder três perguntas básicas.
Primeira pergunta: o que levam várias mulheres (a "gentil" – assim mesmo, entre aspas, obrigado – desembargadora é apenas uma delas) a ser ainda mais machistas, porco-chauvinistas e antifeminismo do que os homens?
Pessoalmente, tenho várias teorias. Talvez seja uma síndrome de Estocolmo piorada – cortesia (talvez) de uma didática secular (ou milenar) que parece ensinar o oprimido a amar tanto a ideologia do opressor que passa a defende-la com unhas e dentes e com mais ênfase do que o próprio opressor). Ou então a "gentil" desembargadora tenha maratonado The Handmaid's Tale (sim, porque ler o livro acho meio impensável em se tratando de pessoas deste quilate-mas-não-morde...) e concluiu que este seria o mundo ideal para que mulheres como ela devam viver...
Porque eu não entendo como podem ter mulheres que são contra o feminismo – que, se não me engano (gostaria que as gentis e combativas leitoras me esclarecessem, para que eu não pague um king kong neste texto), é a luta de mulheres por direitos iguais na sociedade – a ponto de incorporar conceitos (eu disse "conceitos"? Mil desculpas. É que eu estava indeciso entre "Preconceitos" e "ideias de jerico", o que para mim são a mesma coisa...) inventados principalmente por machistas, porco-chauvinistas e evangelicuzinhos fundamentalistas e aplaudidos por bolsonaretes para desqualificar a luta das mulheres e, quem sabe, tirar os direitos que conseguiram até agora.
"Feminazi", por exemplo: o "nazi" implica em afirmar que as reivindicações feministas por igualdade estão sendo impostas ditatorialmente – e não é, nem nunca foi o caso. (Fora outros "febeapás" que acompanham este termo cretino: desde quando, para ser feminista e lutar pelos direitos das mulheres, é preciso não cuidar de sua aparência? Feministas também se depilam, se maquiam, e, querendo, tingem o cabelo de louro e fazem plástica. Ainda mais quando o objetivo de uma mulher é manter sua autoestima, não para "conquistar um marido" – assim mesmo, sr. revisor, entre aspas, obrigado. E, da mesma forma, tem mulher que mantém sua autoestima sem se pintar, maquiar etc. – afinal, quanto menos for obrigatório para uma mulher, melhor. Será que machistas, porco-chauvinistas, evangelicuzinhos fundamentalistas e bolsonaretes já ouviram falar de livre escolha?)
O problema é que – pelo menos nos últimos 500 anos de civilização humana – o que mais foi imposto na marra foi, justamente, uma noção de "superioridade" do homem, o que, "justificava" (assim mesmo, sr. revisor, entre aspas, obrigado) mil e uma limitações e proibições à mulher, para que ela se limitasse a "cumprir seu único papel na sociedade (assim mesmo, sr. revisor, entre aspas de novo, obrigado): casar, cuidar da casa, transar com o marido sempre que ELE quisesse e parir filhos. E o problema 2, a missão (e parece que a "gentil" desembargadora se esquece disso), é que, se tais proibições vigorassem até hoje, ela nem sequer teria direito a dar opinião – como aliás, Carol Patrocínio informa a "moças de família" (SIC) como a "gentil" desembargadora, em um texto muito instrutivo, "9 Coisas Que As Vadias/Barangas Feministas Conquistaram Para Você, Inclusive Pras Anti-Feministas" (Calma: esse é o título do texto, em chave de IRONIA):

É fácil dizer que você é feminina e não feminista – porque você nem nota o quão sem sentido é dizer isso –, que feministas são mulher mal comidas que não melhoraram em nada a sua vida ou que as lutas do movimento feminista são inúteis. Difícil, amigas, é abrir mão das coisas que o movimento feminista te deu de presente.

1 – A possibilidade de ter opinião
Sabe quem lutou e mudou as coisas para que você possa ser anti-feminista? As feministas! O mundo é realmente engraçado, né?

2 – Poder vestir calças compridas
Olhe para suas perninhas: tem uma bela calça quentinha aí? Pois é, foram as feministas que permitiram que você pudesse escolher não usar saia – e usar a saia no comprimento que bem entender.

3 – A chance de trabalhar
Onde você está agora? No trabalho. É… foram elas, as feministas do passado, que deram um jeito de você poder trabalhar no que gosta. É claro que trabalhar, por si só, foi uma necessidade do mercado, mas poder escolher? Ah, isso foram elas. E no fim é o mais importante, né?

4 – A possibilidade de escolher com quem quer se casar
Antes você seria vendida pela sua família. Tudo se basearia em interesses e negócios. Puro business. Você seria só mais um produto que poderia garantir mais dinheiro para a família, sem sentimentos, sem desejos, sem ação ou agência. Não é uma delícia poder escolher por si mesma?

5 – O direito de amar quem quiser
Essa coisa de amor é demais, né? Deixa o coração quentinho ter ao lado alguém que se importa com a gente, nos respeita e olha para nós como os seres humanos incríveis que somos. Coisa de feminista, preciso dizer.

6 – Uma lei que te defende de agressores
Maria da Penha é uma lei que inspira políticos do mundo todo, sabia? Ela diz que nenhum cara pode encher a mulher de porrada e sair ileso. É um avanço incrível para uma sociedade que até outro dia achava que mulher era posse. Os esforços foram feministas.

7 – Poder gostar de sexo
Imagina só, antes do movimento feminista, dizer que você gosta de sexo? Seria um escândalo e talvez você fosse apedrejada em praça pública. Mas hoje… Hoje você pode gostar de sexo, se divertir com isso e ainda pode escolher com quem vai transar. Mágico, né?

8 – A possibilidade de não engravidar mesmo fazendo sexo
Incrível, né? Revolucionária essa coisa da pílula anticoncepcional e a possibilidade de transar apenas por prazer. Feministas tiveram um dedo aí, tá?

9 – Direito ao voto
Coisa da Bertha Lutz, uma feminista. Antes os homens votavam por nós porque representavam os nossos interesses. Ahan.

Tudo isso é apenas uma parte do que o movimento feminista lutou para que todas as mulheres tivessem acesso, algumas das coisas que mais nos tornam livres hoje em dia foram resultado direto ou indireto dessas movimentações.

Posso acrescentar (só para dar um exemplo) mais uma coisa? Não fosse o feminismo, as mulheres nem sequer poderiam estudar em universidades. (Sério: no século XIX, mulheres não entravam nas faculdades. Maria Augusta Generoso Estrela, a primeira mulher a se formar médica no Brasil Império, só o conseguiu estudando... em uma universidade dos EUA). E Rita Lobato, a primeira mulher a entrar numa faculdade de medicina brasileira, só o conseguiu em 1883, após o decreto imperial nº 7247, em 19 de abril de 1879, de D. Pedro II.
Ou seja: mantidas tais proibições, a "gentil" desembargadora, por exemplo, nunca poderia cursar Direito, nunca poderia entrar para a magistratura, e nunca chegaria a ser desembargadora e ganhar a posição que lhe dá destaque aos seus despautérios. Teria ela pensado nisso?

Segunda pergunta: o que levam algumas pessoas a ter essa incontinência verbal que as leva a falar antes de pensar?
Sim, porque isso já me parece um caso psicológico (pra não dizer psiquiátrico). Salvo engano, todos os seres da espécie Homo sapiens costumam pensar antes de fazer qualquer coisa – inclusive falar. Neste último caso, também costumam observar as coisas em sua volta antes de pensar e proferir uma opinião.
Pois parece que isso está mudando com a internet (e as redes sociais, em particular). Nelas, parece que a necessidade de digitar alguma coisa rapidamente está suplantando a capacidade de raciocinar antes. É isso mesmo, produção?
Ou será que meu amigo Gustavo Gindre tem razão ao achar que estamos construindo personalidades cindidas, como se fossem dois mundos diferentes, e que a facilidade que as pessoas têm para ofender e agredir nas redes sociais não é transposta para a vida lá fora? Tipo assim, dupla personalidade à lá Bezerra da Silva: nas redes sociais "é um bicho feroz": fora delas, "anda rebolando e até muda de voz" (no sentido figurado... calma aí...)?
Se for assim, não se Freud ou Jung explicariam isso.

O que nos leva a terceira pergunta: por que é que o poder judiciário brasileiro, além de exigir dos candidatos a magistrados o de sempre – notório saber jurídico e reputação ilibada – não exige também exames psicológicos (tanto na época da nomeação, quanto periódicos, de quatro em quatro anos), para auferir se o candidato a magistrado tem equilíbrio mental e emocional para aplicar a lei?
Se ainda não sabem, dir-lhes-ei (copyright Jânio Quadros): sou contra a adoção legal da pena de morte no Brasil. (E também sou contra a pena de morte ilegal que traficantes e milicianos aplicam ao arrepio da lei.) Mas sabem como é, sempre tem outros imbecis defendendo a adoção da pena capital, dizendo que lá na Indonésia e nos EUA isso resolve a criminalidade, sem sequer observar que:

1- Se a criminalidade diminuiu nos EUA nos anos iniciais a partir de 1977, quando a pena de morte voltou a vigorar, atualmente os índices de criminalidade estão bem altos; e
2- Desde os tempos do ditador Suharto que a Indonésia não é nenhum modelo de combate à corrupção. Ou seja, se qualquer otário que chega ao país com maconha ou cocaína malocado na bagagem é passado nas armas (tradução: fuzilado), quem me garante que grandes chefes de carteis de drogas (logo, donos de recursos financeiros enormes à disposição do "faz-me rir" habitual das "otoridades" indonésias) que atuam por lá são sequer incomodados?
Pois então, já que supunhetamos no assunto (copyright Aldir Blanc), vai que um dia um Congresso Nacional ainda mais conservador do que o atual aprove a pena de morte. Para julgar uma pena assim definitiva (porque futuras anistias e revisões de pena para quem for condenado à morte injustamente – sim, gentis leitoras e leitores, a justiça erra – só poderão ser póstumas, já que a vida do condenado não poderá ser devolvida) é preciso que um juiz observe minuciosamente os autos do processo e, sobretudo, tenha equilíbrio.
Então, imagine um processo de pena de morte examinado e julgado por juízes como a "gentil" desembargadora. Que, aliás, não é única representante dos porraloucas no poder judiciário. Ou por aquele "meretríssimo" juiz que se julgava Deus – é, aquele mesmo que processou uma agente de trânsito que teve a "ousadia" de multa-lo, só porque estava dirigindo um carro sem placas e sem a carteira de motorista, que havia sido apreendida faz tempo. (E, pior, que ganhou o processo em duas instâncias – cortesia do esprit de corps, d'aprés esprit de cochon, do judiciário fluminense?).
Ou por este juiz que mandou bala (mesmo: tiros e mais tiros, já que juízes tem o privilégio de portar armas) em seu vizinho de condomínio:

O osteopata Pedro Augusto Guerra fica ofegante ao se lembrar de um tiro que, por pouco, não o atingiu na cabeça. E se mostra indignado ao contar que, segundo ele, o disparo foi feito pelo juiz Jorge Jansen Counago Novelle, da 15ª Vara Cível do Rio, dentro de um condomínio de frente para o mar na Avenida Atlântica, em Copacabana. O ataque, ocorrido por volta das 4h do feriado de 1º de maio, foi registrado com a câmera de um celular. A motivação ainda é desconhecida.
O vídeo mostra o instante em que o tiro é disparado, após uma discussão entre o osteopata e o juiz. O caso só não terminou em tragédia porque a bala desviou na grade de uma janela, abrindo, em seguida, um buraco na parede do edifício.
Os dois eram vizinhos. O juiz ainda mora no condomínio; já o osteopata saiu do prédio. Pedro alugava um imóvel de cerca de 400 metros quadrados, um andar abaixo da casa de Novelle. Pelo vão interno de circulação de ar do edifício, um podia ver parte do apartamento do outro. E foi nesse espaço que ocorreu o incidente, filmado pelo osteopata. Na gravação, enquanto Pedro apoia o celular no parapeito de uma janela, escuta-se um grito que seria do juiz: “Bandido!”. Depois, o magistrado aparece na imagem, na área de serviço de seu apartamento, e faz acusações contra o osteopata. “Tu é safado. Pedro safado!”, diz ele.
Logo em seguida, Novelle sai, e ressurge 12 segundos depois. “Tu vai me filmar? Tá me ameaçando?”, questiona o juiz, que aponta uma arma para a janela de Pedro. “Então, tome bala”, avisa ele ao atirar. O osteopata afirma que estava com a cabeça para fora da janela enquanto filmava. Após o disparo, o celular continuou apoiado no parapeito, mas Pedro caiu no chão.
(…)
Novelle, por sua vez, não quis se manifestar. Na última sexta-feira pela manhã, uma equipe do GLOBO o procurou em seu apartamento. Pelo telefone da portaria do prédio, ele disse que só se pronunciaria em juízo.

Já imaginou?
Pois é.
Imagine um juiz com o equilíbrio emocional dos acima citados decidir se um réu vive ou morre.
Já é ruim quando decidem sentenças sob a legislação atual com suas neuras, idiossincrasias e crenças escondidas atrás da letra fria da lei – tipo assim, aquele juiz de Goiás que mandou a resolução do CNJ às favas e proibiu os cartórios do estado de realizarem casamentos entre pessoas do mesmo sexo... – juiz que, por curiosa coincidência, também era pastor da Assembleia de Deus. Dir-se-ia, até, que usam a jurisprudência do juiz norteamericano Webster Thayer, que julgou os imigrantes italianos Sacco e Vanzetti de modo imparcial... (só que não) para tomar suas decisões.
Imagine um caso de pena capital, caso venha a ser adotada aqui em Terra Papagalli...

Estas são as três perguntas. Se alguém puder me responder, me escreva.
Quanto à "gentil" (e sem noção) desembargadora, um fato é claro: será que foi realmente necessário a "gentil" (e idiota) desembargadora cometer essa nova tuitada ofensiva e sem noção (imagine, votar em um candidato misógino, que odeia as mulheres – se não for por ser narniano roxo...)? Será que alguém, realmente, lamentará a morte dela? (De velha, por causas naturais, claro. Primeiro, porque somos contra a violência; segundo, porque não somos tão escrotos a ponto de desejar a ela o mesmo que deseja a outras mulheres.)
Quanto à causa que a "gentil" (e não solidária) desembargadora acha que é perdida – o feminismo – dois lembretes. Um de Oswald de Andrade (que eu costumo apelidar de "o homem que amava as mulheres independentes" – tanto que, em sua vida, se uniu a três ou quatro que não eram nem um pouco submissas): Seja como for. Voltar para trás é que é impossível. O meu relógio anda sempre para a frente. A História também.
O segundo, de Mlle. Simone de Beauvoir: Que nada nos limite, que nada nos defina, que nada nos sujeite. Que a liberdade seja nossa própria substância, já que viver é ser livre. Porque alguém disse e eu concordo que o tempo cura, que a mágoa passa, que decepção não mata. E que a vida sempre, sempre continua.

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Quase que eu me esqueço: Simone de Beauvoir foi tema da redação do ENEM de 2015 e deu muito o que falar – especialmente para quem não entendeu sua frase famosa de sua obra O Segundo sexo (e nem se esforça em entender – evangelicuzinhos, bolsonaretes e catervada), muito menos a diferença que mlle. Beauvoir destaca nesta frase entre o papel biológico e o papel social da mulher: Ninguém nasce mulher: torna-se mulher. Nenhum destino biológico, psíquico, econômico define a forma que a fêmea humana assume no seio da sociedade; é o conjunto da civilização que elabora esse produto intermediário entre o macho e o castrado que qualificam o feminino.

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Tá bom. Para não magoar muito a "gentil" (e porralouquíssima) desembargadora, a minha indicação para esta séria série talvez a agrade: Colette (Colette – EUA / Hungria / Reino Unido, 2018), de Wash Westmoreland.
Para quem é versado em literatura e em história da literatura, o filme é baseado em fatos da vida de Sidonie-Gabrielle Colette (1873-1954), uma das maiores escritoras francesas.
Por que tal indicação talvez a agrade a "gentil" (e idiotíssima) desembargadora?
Talvez porque Colette nunca foi, de facto (copyright português da República Portuguesa...) uma militante feminista – ou melhor dizendo, sufragista: a principal luta das mulheres em fins dos século XIX e início do século XX (entre outras tantas, sejamos sinceros...) era pelo direito de votar e serem votadas em eleições.
Breve aula: não que as francesas não tenham tentado. Em plena Revolução Francesa, uma dama chamada Olympe de Gouges (1748-1793) escreveu diversos textos em defesa de direitos políticos para as mulheres, inclusive a sua Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã (1791), Mas sabem com eram os liberais da época revolucionária – e mesmo de hoje, principalmente aqui em Terra Papagalli: liberdade ma non tropo: "os deveres de mãe e esposa são incompatíveis com o exercício dos direitos políticos", "As mulheres são muito influenciadas pela Igreja, e isso contraria o ideal de Estado laico" (como se não existissem mulheres em todas as épocas que mandavam dogmas e proibições religiosas pras cinco letras que fedem...), blá, blá, blá, blá, blá, blá... Conclusão: ao invés de dar às mulheres o direito de subir à tribuna, preferiram levar Mme. de Gouges à guilhotina, em 1793. Conclusão: enquanto outros países atendiam à pressão de suas mulheres e lhes concediam direitos políticos (mais ou menos nesta ordem: a Nova Zelândia – o primeiro, em 1893, fruto de movimento liderado por Kate Sheppard; a Austrália, em 1902; a Finlândia, ainda domínio do czar da Rússia, mas já botando as manguinhas de fora em busca de sua independência, em 1906; a Dinamarca e na Islândia (território dinamarquês) , em 1915; a Alemanha, em 1918 (após a queda do kaiser e a instauração da República de Weimar); o Reino Unido, em 1918, ampliado em 1928; os EUA, em 1919; a Suécia – 1921; o Equador, em 1929; e a Espanha, em 1931, com a Segunda República), a França só veio dar voto às mulheres em 1945, depois da Segunda Guerra Mundial. Até o Brasil passou à frente da França ("A Europa curvou-se ante o Brasil!") estabelecendo o voto feminino em 1932.
Pior. Na época em que madame Colette viveu, as mulheres eram submetidas aos ditames do Código Napoleônico, promulgado (como o nome diz) durante o reinado de Napoleão Bonaparte (1804 a 1814). Um artigo do historiador Augusto Buonicore, chamado O antifeminismo na história nos informa o que este Código oferecia às mulheres:

A consolidação da derrota das mulheres se deu com a aprovação dos Códigos Civil e Penal, aprovados respectivamente em 1804 e 1808, já sob o governo de Napoleão Bonaparte. Neles se restabelecia o princípio de que “a mulher deve obediência ao homem”. O marido passava a ter legalmente, entre outras coisas, o direito de exigir que os Correios entregassem a ele todas as cartas endereçadas a esposa, de dispor livremente do seu salário – muitos receberiam os salários pelas esposas. Para tudo a mulher necessitava da autorização do pai ou do marido.
Segundo o “código napoleônico” a mulher adultera poderia ser condenada de três meses até dois anos de prisão. O adultero, pelo contrário, deveria pagar apenas uma pequena multa. Um dos seus redatores justificou tal disparidade: “A infidelidade da mulher supõe mais corrupção e tem o efeito mais perigoso que aquela do marido” e Engels, por sua vez, ridicularizou o artigo do código que decretava solenemente que “a criança concebida durante o casamento terá por pai sempre o marido” e concluiu irônico: “Eis aí o último resultado de três mil anos de monogamia.” 

Honte à vous, citoyens français! (Tradução: "Que vergonha, cidadãos franceses!"). Fim da aula.
Pois, mesmo não sendo feminista, Colette fez, pessoalmente, o que muitas feministas defendiam e as mulheres buscavam: ser livres para ser o que são e fazer o que querem.
É bem verdade que o roteiro de Wash Westmoreland, Richard Glatzer e Rebecca Lenkiewicz fixa-se mais nos anos iniciais da longa vida (81 anos) de Colette (a bela Keira Knightley): a adolescência no interior, a extrema cumplicidade com a mãe, Sido (Fiona Shaw), o casamento com Henry Gauthier-Villars, ou Willy (Dominic West), a ida para Paris, a vida de casada (difícil, porque Willy não era lá muito fiel...), o início da carreira literária com os romances da série "Claudine" (escritos por Colette e assinados por Willy), o meio artístico de Paris no início do século XX e... as primeiras relações de Colette com as mulheres – especialmente o caso amoroso com Mathilde de Morny, marquesa de Balbeuf (1863 - 1944), ou, simplesmente, "Missy"( Denise Gough).
Hummmm... pensando bem, a gentil (e sem noção) desembargadora não vai gostar não.
Bom, ela que se dane: nós adoraríamos muito que Colette estreasse logo no Brasil.
Não achei nenhum trailer do filme; se eu achar, coloco aqui.
Por enquanto, fiquem com duas fotos do filme.

Colette (Keira Knightley)

Colette (Keira Knightley) ao lado de Missy (Denise Gough, à esquerda)

25 fevereiro, 2018

O MUSEU DOS MUSEUS (SIC)

E eis que a coluna Outra Coisa, de O Globo-Niterói, publica a seguinte notinha:


Antes que você, fã das Organizações Globo (sim, ainda existem, apesar do apoio destas ao golpe e ao Vampirão Golpista Michel 0,5% Temer) dê pulos de alegria, porque "vai entrar dinheiro da Grobo" e assim a coisa finalmente vai, um lembrete, à guisa de informação: enquanto isso, outro projeto de museu à cargo da Fundação Roberto Marinho, o Museu da Imagem e do Som (MIS) – mais especificamente, as obras de seu novo prédio em Copacabana – está simplesmente parado. Isso mesmo: as obras estão paradas HÁ MAIS DE DOIS ANOS, CQD esta reportagem do Jornal do Rio, da Band. (Clique AQUI para ver.)
Essa pedra, aliás, já foi bem cantada por um ilustre professor do curso de Cinema da UFF (um dos mais tradicionais do país), em um post no Facebook que, com todo o respeito, estou roubartilhando. 

O Globo publica "Museu em boas mãos", mas quer dizer: JÁ METEMOS A MÃO NO MUSEU. Posso me orgulhar de ter previsto isso com bastante antecedência. Quando foi anunciado, no final do ano passado, que o Museu do Cinema em Niterói (ex-Centro Petrobrás de Cinema), projeto do Niemeyer, em São Domingos, seria finalmente concluído, criando um "Museu Digital do Cinema Brasileiro" (?), eu sabia que a Fundação Roberto Marinho estaria ali. Quando Cacá Diegues, garoto propaganda da Globo, esteve presente, ao lado do Ministro da Cultura, no lançamento do projeto "Niterói, cidade do audiovisual", eu tive certeza absoluta. Como o prefeito de Niterói gosta de imitar o ex-prefeito do Rio, Eduardo Paes, e o ex-governador do Rio, Sérgio Cabral, em muitas coisas, principalmente nas erradas, vamos ter em Niterói um sub-Museu de Arte do Rio (MAR), ou ainda, um sub-Museu da Imagem e do Som (MIS), projeto que, aliás, até hoje não ficou pronto em Copacabana. Afinal, o que será um museu digital do cinema brasileiro senão mais um desses museus baratos, sem acervo, que a Fundação Roberto Marinho tá criando por aí, usando a TV e a imprensa para convencer a todos que são ótimos, quando, na minha opinião, são apenas engodos (e maneiras da Globo abocanhar dinheiro público)?. Já imagino telões exibindo filmes da Globofilmes, ou aproveitando o que já foi licenciado para o MIS, também da Fundação Roberto Marinho. A verba seria de 1,5 milhão da emenda parlamentar do deputado Chico D'Angelo. Não é muito, mas daria para fazer algo bem interessante, sobretudo se a a população e a sociedade fosse convidada para opinar e colaborar, ao invés de decidir, como sempre, o destino desse elefante branco em gabinetes, às portas fechadas, sem nenhuma transparência. E com a mídia interessada cinicamente aplaudindo. Lamentável.

Antes que você, fã das Organizações Globo (sim, ainda existem etc., etc.) venha xingar este ilustre professor e este escriba de mortadelas e invejosos (SIC), porque "não suportamos a ideia de ver as Organizações Globo botando dinheiro num projeto legal" (SIC), gostaria de lhe informar uma coisinha que até mesmo no mundo mineral (copyright Mino Carta) sabe, menos você:

AS ORGANIZAÇÕES GLOBO NUNCA BOTARAM UM TOSTÃO DE SEUS COFRES (ou dos bolsos dos irmãos Marinho) NOS PROJETOS DE MUSEUS DA FUNDAÇÃO ROBERTO MARINHO.

Todos este projetos foram viabilizados através de:

- Lei Rouanet – isto é, dinheiro de grandes empresários e/ou empresas privadas (menos, repetindo, dos cofres das Organizações Globo ou dos bolsos dos irmãos Marinho)

e, principalmente,

- Verbas públicas de estados e/ou municípios.

Ou seja, para que São Paulo tivesse o Museu do Futebol e Museu da Língua Portuguesa (e para que volte a ter este último museu de novo, já que pegou fogo), o contribuinte paulista deu (e está dando) o seu suado dinheiro de impostos estaduais. Para que o Rio de Janeiro tivesse o Museu do Amanhã e o Museu de Arte do Rio (MAR) – e para que o bispo-prefeito Marcello Crivella decidisse que este último museu era seu e só entra a exposição que ele quisesse (daí, a proibição da mostra Queermuseum, com direito a mais uma piadinha sem graça e risinho de deboche...) – os contribuintes cariocas e fluminenses deram o seu suado dinheiro de IPTU e ICMS.
E para que Niterói finalmente tenha o seu Museu do Cinema Brasileiro (ou, o mais provável, um submuseu, muito diferente do projeto original, que o município e a UFF elaboraram), os contribuintes niteroienses darão o seu suado dinheiro de IPTU.
"Ah, não me diga que agora você se juntou ao MBL e a essa catervada pseudoliberal e passou a ser contra a Lei Rouanet?" Nem a pau, Nicolau. Continuo sendo muitíssimo a favor de todo e qualquer mecanismo de fomento às artes. Mas justamente por ser a favor – e para que tais mecanismos continuem existindo e funcionando a contento – combati e continuarei combatendo o bom combate contra toda e qualquer picaretagem em cima deles.
Até porque você não me perguntou: o que a Fundação Roberto Marinho ganha com isso?
Bem, para começar, que tal darmos uma olhada em trechos de uma ilustre reportagem da Rede Brasil Atual, de 19 de dezembro de 2017sobre a inauguração do Museu do Amanhã?

Na quinta-feira (17), a cidade do Rio de Janeiro ganhou o Museu do Amanhã, construído na zona portuária onde havia um pier abandonado. O museu faz parte da operação urbana Porto Maravilha, de revitalização e desenvolvimento da região, realizada em parceria público-privada.
Na quinta-feira (17), a cidade do Rio de Janeiro ganhou o Museu do Amanhã, construído na zona portuária onde havia um pier abandonado. O museu faz parte da operação urbana Porto Maravilha, de revitalização e desenvolvimento da região, realizada em parceria público-privada.
A prefeitura conduz o processo, as empreiteiras Carioca Engenharia e OAS constroem, parte dos recursos é de financiamentos do FGTS-FI, o fundo de investimento que faz aplicações dos recursos do Fundo de Garantia e, no caso do Museu, quem toma posse da operação depois de pronto é a Fundação Roberto Marinho, ONG ligada aos donos da TV Globo. A Fundação é duplamente beneficiada: ganha prestígio com mais um museu de grande porte em seu portfólio, e cobra da prefeitura o preço para manter o museu funcionando.
Até aí quase tudo bem, exceto o quase monopólio da Fundação Roberto Marinho na gestão de museus municipais do Rio. Além do Museu do Amanhã, a Fundação também ganhou da prefeitura a gestão do Museu de Arte do Rio, inaugurado em 2013, e o novo Museu da Imagem e do Som, em final de construção.
O maior problema é quando ficamos sabendo que o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), entrou nesse meio, mesmo fora de sua área de competência.
No âmbito da Operação Lava Jato, a Procuradoria-Geral da República afirma ter provas de que Cunha recebeu outros R$ 52 milhões em propinas na Suíça e em Israel da empreiteira Carioca Engenharia para liberar financiamento do FGTS-FI para as obras do Porto Maravilha. Dois donos da empresa, Ricardo Pernambuco e Ricardo Pernambuco Júnior, delataram que o próprio Cunha acertou e cobrou a propina sem intermediários, para depositar no exterior nas contas indicadas pelo deputado.
Segundo a Procuradoria da República, o elo de Cunha com o FGTS-FI era Fábio Cleto, indicado por ele para o cargo de vice-presidência de Fundos de Governo e Loterias da Caixa Econômica Federal (CEF). Cleto era o representante da Caixa no Conselho Curador do FGTS, posição-chave tanto para dificultar como para facilitar a aprovação do financiamento de R$ 3,5 bilhões para o Porto Maravilha.
Cleto foi demitido pela presidenta Dilma Rousseff na semana passada. Nesta semana sua residência sofreu busca e apreensão por policiais federais, dentro da operação Catilinárias, cujo foco maior foi Eduardo Cunha e outras lideranças do PMDB.
A Fundação Roberto Marinho não é acusada pela Procuradoria-Geral da República de participação nos malfeitos, mas os fatos incontestes são de que ela se torna uma espécie de herdeira na exploração dos museus construídos com possível corrupção de Eduardo Cunha.
O que chama atenção no caso da ONG da família Marinho são os vultosos pagamentos recebidos dos cofres públicos da prefeitura. Segundo o Portal da Transparência da prefeitura do Rio, R$ 56.003.994 já foram pagos à Fundação Roberto Marinho pelo "Programa Porto Maravilha" desde 2010, mais do que a propina atribuída a Eduardo Cunha. Quase todo o valor foi pago antes mesmo da inauguração dos museus.

Isso em termos de verbas públicas.
E quanto aos patrocínios?
Lembram da CPI da Lei Rouanet? É, aquela mesma criada por deputados mais para meter medo naquela grande parcela da classe artística que se opunha ao golpe do que especificamente para descobrir as irregularidades de sua aplicação; aquela mesma que intimou Tomie Ohtake para depor – intimação que a artista não pode obedecer por motivo de força maior: ter falecido em 2015?
Pois é. No começo, foi uma baita divulgação, uma baita expectativa para saber quais petralhas "ficaram ricos" com a Lei. Até o instante em que se descobriu que a Fundação Roberto Marinho foi uma das maiores beneficiárias da Lei Rouanet durante os governos petistas. Depois disso, é incrível como esta CPI foi esquecida, e terminou sem o destaque que teve no início, sugerindo o indiciamento de 12 pessoas. Nenhuma delas era petralha. E nem se ouviu falar mais da Fundação Roberto Marinho. Duvida?
Bem, o relatório pode ser achado aqui. Não tive o prazer (ou não) de lê-lo. Mas não deve ter o que interessa a respeito da Fundação Roberto Marinho. Ou seja, o quanto ela captou de incentivos. Bem, duas planilhas que acompanham a mesma reportagem do DCM informam bem. Vai aí a primeira:


Entre 2003, ano inicial do primeiro governo Lula, e 2015, a FRM captou a ninharia de R$ 147.858.580,00.
Já a segunda planilha – que nos informa quem patrocinou via Lei Rouanet os projetos da FRM – é mais esclarecedora:


Descontando-se os suspeitos de sempre – o Itaú (grande devedor de bilhões de impostos, perdoados pelo Vampirão), a Vale (a assassina do rio Doce) & Cia. – encontramos três empresas das Organizações Globo: Globosat Programadora Ltda. (a programadora de canais de tv por assinatura), R$ 9.550.000,00; Globo Comunicações e Participações S.A. (a holding controladora da bagaça toda), R$ 7.574.172,37; e Infoglobo (os jornais O Globo, Extra e Expresso), R$ 700.000,00
E o quico?
O DCM explica procês:

Grana para fundações é restituída no Imposto de Renda. Quando a fundação é do próprio grupo, tem-se uma situação ganha-ganha. O dinheiro sai do caixa da companhia, livre do fisco, e entra numa fundação que lhe pertence. É quase lavagem. E é, em tese, legal.

Isso, claro, se as Organizações Globo realmente botaram dinheiro nos projetos da FRM.
Não custa nada lembrar que, salvo engano, as parcerias para coproduções audiovisuais da GloboFilmes não implicam, necessariamente, em grana dos cofres da mesma: ela costuma investir a sua parte em serviços – principalmente, de divulgação (em todas as suas mídias, inclusive Rede Globo) – no valor que, em tese, deveria colocar no filme. Como a FRM e suas atividades também são divulgadas quase que a exaustão em todas as mídias das Organizações Globo (e no canal de televisão da FRM, o Futura), vai que seja o mesmo esquema?
Em suma, já intuímos bem o que a FRM ganha ao assumir mais um projeto de Museu, o Museu do Cinema Brasileiro de Niterói.
(A menos que, desta vez, a prefeitura exija da FRM, em suas negociações, que efetivamente tirem o escorpião do bolso e realmente ponham dinheiro no projeto. Mas isso é querer demais...)
Mas... afinal, o que os jeniais (assim mesmo, sr. revisor, obrigado) membros da Secretaria Municipal da Cultura e da FAN – a começar por seu secretário elitista ao extremo – ganham com isso?
Talvez, mais um bistrô, que para eles é coisa muito fina, elegante e insincera. Será? Mal sabem eles – ou esqueceram – que um bistrô, na França (de onde veio a palavra original, bistrot) equivale... ao bom e velho botequim – igualzinho aos bares e barzinhos de São Domingos, vizinhos do futuro Museu, mas que certamente não serão convidados a dar suas opiniões e propostas a respeito do futuro bistrô. Aliás, nem a UFF e seu curso de cinema (copropositora do projeto original do Museu do Cinema Brasileiro), nem os fazedores de cultura - incluindo os profissionais de cinema de Niterói (que, segundo a Secretaria, "não existem", o que justifica a "inglória tarefa" e os seus ilustres esforços para trazer à cidade o que eles definem - a portas fechadas, claro – que deve ser cultura) serão chamados a opinar. Em português claro: serão rifados mais uma vez do projeto do Museu do Cinema Brasileiro. Afinal, como já dizia o Barão de Itararé, deve ser "um excelente negócio para o qual não fomos convidados"...
Aí, vocês vão ter de tirar suas próprias conclusões – tanto sobre isso quanto sobre o futuro Museu (ou sub-Museu) do Cinema Brasileiro.
Só gostaria de corrigir um pouco o ilustre professor de cinema da UFF. Ele acha que o Museu será assim: "Já imagino telões exibindo filmes da Globofilmes".
Eu não, mestre. Eu sou um menino (SIC) de muita imaginação. Imagino um museu de cinema brasileiro que simplesmente esqueça os 100 anos de história do cinema brasileiro anteriores à criação da GloboFilmes (1998). Duplipensar puro. Às nossas custas.
O certo (espero estar errado, mas...) é que: ou a UFF e seu curso de cinema (um dos mais antigos do Brasil) e os profissionais de cinema de Niterói se manifestam agora ou (como espera a prefeitura e seu secretário de Cultura) calem-se para sempre.

22 janeiro, 2018

DA SÉRIA SÉRIE "FILMES QUE JAIR BESTEIRARO ET CATERVA A-DO-RA-RI-AM..." (LXX)

Faz tempo que eu não falo de Joaquim Camarão, médium kardecista de grande capacidade, que até hoje coordena o Centro Espírita Casa de Von Braun... e técnico de informática apaixonado por computadores, que juntou a mediunidade com a tecnologia ao desenvolver um software especial, que cria contas de e-mail especiais para psicografar mensagens de pessoas mortas (ou segundo a terminologia kardecista, "desencarnadas") via internet. A última vez que Joaquim entrou em contato comigo foi em 2004, ao encaminhar para este escriba uma mensagem de uma mulher corajosa decepcionada com a filha, então colunista de um grande jornal, que publicou uma (hoje chamamos assim) fake news a respeito de um cineasta, na base da brincadeira de mau gosto a respeito de seu estado de saúde. Agora, ele voltou a me procurar, trazendo um novo email de outro desencarnado ilustre para uma personalidade da televisão atual, a respeito de uma notícia do início deste ano que já está mais velha do que andar pra frente, quase do tempo em que os bichos falavam.
Mesmo assim, vale a pena transcrever o email.

De naopercaaesportiva@evoe.com para ratinho@sbesteira.com.br

Prezado senhor Carlos Massa, codinome Ratinho:

O senhor talvez não me conheça. Mas tenho a lhe dizer que temos algumas coisas em comum – a começar com uma de nossas profissões. O senhor começou com um programa policial na televisão, e eu criei um programa policial no rádio. Depois o senhor se tornou apresentador de variedades, e eu voltei a ser cronista esportivo. (Aliás, o senhor deveria tentar ser cronista esportivo também. No mínimo, vai ser divertido: o senhor comentando aqueles jogos de futebol meio mornos, botando a cobra pra fumar...)
Mas não é para trocar figurinhas que estou lhe escrevendo. É para lhe explicar algumas coisas a respeito de um troço muito chato que aconteceu em torno do senhor.
No último dia 3 de janeiro, o senhor postou um vídeo em seu Instagram, reclamando da presença de gays, lésbicas e etcétera na televisão.

“Eu estava vendo a novela aqui da Globo, um negócio de cangaceiro e tal, porque temos que ver quem está concorrendo com a gente e tal. Mas Globo, vocês colocaram viado até em filme de cangaceiro, gente! Naquele tempo não tinha viado não. Ou tinha viado naquele tempo? É sério. É viado as 6 da tarde, é viado nas 8 da noite, é viado as 10 da noite. É muito viado. Eu não sei o que tá acontecendo… Será que tem tanto viado assim?”

Sim, eu também chamei muito gay de "bicha" e muita lésbica de "sapatão" ou "paraíba" quando estive aí embaixo. Só que a convivência com eles aqui em cima me fez rever alguns de meus conceitos... ou preconceitos.
E, pelo visto, o mesmo parece estar acontecendo aí embaixo, a julgar pela reação do pessoal aos seus comentários – uma reação tão forte que o senhor teve que se explicar direito pro povão:

“Olha, ontem eu fiz um comentário sobre gays na novela da Globo, e todo mundo comentou, virou viral, essas coisas. Mas veja bem, em nenhum momento eu quis ofender nenhum gay, até porque trabalho com todos eles, todos gostam de mim e eu gosto muito deles. Então não tem nada a ver, foi uma brincadeira. Eu fiz uma brincadeira para a gente brincar na internet. Lamentavelmente, algumas pessoas não entenderam assim. Mas eu quero mandar um abraço e dizer que eu respeito todo mundo”

Parece que funcionou, porque o povão já esqueceu. Mas eu não – até porque é de brincadeiras como estas que o porão onde Lúcifer mora (que, aliás, é para onde os pregadores falso moralistas costumam mandar o pessoal LGBT em suas falas raivosas, mas é para onde acabam indo depois que desencarnam...) está lotado. (Aliás, é verdade que Lulu – como o Pai dele e o Pedrão chamam ele aqui em cima – virou herói de série de televisão aí embaixo? Se for, me dá um toque via email.)
Por isso, permita-me esclarecer algumas coisas.
Pra começar, não é só personagens LGBT que tem na Globo. Também tem uma mentalidade muito chata, que acha o seu telespectador tem a (pouca) inteligência de um Homer Simpson  e o trata como tal (William Bonner que o diga...); também tem racismo, disfarçado ou não (William Waack que o diga...); também tem um ambiente propício ao segundo esporte favorito do andar de cima nacional, que é o difícil jogo da rasteira (Franklin Martins que o diga... e, possivelmente, William Waack também...); e tem também uma certa bipolaridade, nascida de uma influência que a ainda tem, mas já não é tão grande como antes.
(Por falar nessa bipolaridade da Globo, ouvi dizer aqui em cima que houve um arranca rabo lá no porão de Lulu, entre Antônio Carlos Magalhães e Roberto Marinho. Dizem que ACM deu um esporro infernal em seu Roberto: "Putaquipariu!!! Que que adianta se desculpar pelo apoio ao golpe de 1964 e depois esse golpe que botou o mordomo de filme de terror no poder, porra?"
Mas só para lhe responder, senhor Ratinho: sim, tem personagens LGBT na teledramaturgia da Globo, assim como tem muito personagem LGBT na televisão mundial. Aliás, quando você tirar uma folga e se sentar em frente à internet, dê uma olhadinha na Wikipedia. Você vai encontrar uma lista enorme de programas na televisão mundial com personagens e temática LGBT; essa lista vai descambar em uma outra lista, de séries de TV também com personagens e temática LGBT (entre elas, a americana The L Word e a britânica Lip Service) e em outra lista, de personagens LGBT em séries de televisão norteamericanasE, se o senhor usar a memória, vai ver que sempre tivemos personagens LGBTs na televisão brasileira em toda a sua história.
Certo, tem coisas que o senhor nunca soube – aliás, ninguém aí embaixo sequer desconfia. Sabia que a Vida Alves – é, aquela que deu o primeiro beijo na primeira novela da TV brasileira, Sua vida me pertence, na TV Tupi de são Paulo, em 1951 – também foi a primeira atriz a dar um beijo lésbico num teleteatro?Pois é. Foi em 1963, entre ela e Georgia Gomide, no teleteatro A Calúnia (uma adaptação da peça The Children's Hour, de Lillian Hellman, para o Grande Teatro Tupi).
Como acho que o senhor não conhece esta história, vou fazer um resumo. Era uma vez as diretoras de um colégio de meninas adolescentes (papel que Vida e Geórgia Gomide interpretavam). Tudo ia tranquilo até que uma das pentelhas... digo, uma das alunas espalha por aí que as duas eram amantes. Os pais ficam uma arara e tiram as filhas do colégio, que é obrigado a fechar. No dia em que a escola fecha, as diretoras se olham, "de uma forma muito terna e se beijam". A Vida nos conta: "Elas, que até então não tinham qualquer envolvimento, perceberam que realmente se amavam. E assim foi o primeiro beijo gay da televisão brasileira".
Mas como eu dizia, sempre teve "bicha" e "sapatão" na tevê brasileira. A diferença é que, antes, a visão dos personagens LGBT é bem diferente da tevê atual. Descontado o caso A Calúnia, quase sempre foi assim: se o personagem era gay, ou é a caricatura exagerada de um rapaz efeminado, presente nos programas de humor (lembra do Painho, de Chico Anysio? Pois é...), ou, quando personagem coadjuvante de novela, é alguém efeminado com uma profissão ligada à beleza feminina (cabelereiro ou costureiro), ou é um vilão narniano e melífluo – como o Mário Liberato (Cecil Thiré), da telenovela Roda de Fogo (Rede Globo, 1986/1987), de Lauro Cesar Muniz. Se a personagem era lésbica, ou é outra caricatura exagerada – desta vez, de uma lésbica masculinizada em trajes masculinos (a popular "paraíba" ou "caminhoneira") – ou, muito raramente, uma lésbica de batom bem feminina, narniana, melíflua e... vilã.
Em português claro: gays ou lésbicas eram ou vilões ou a caricatura da caricatura, sempre negativos. E era assim que deveriam aparecer na tevê. Só que o estereótipo tem dois pequeninos problemas: é limitado e não dá conta (nem quer) da complexidade da realidade.
Por exemplo: o que você acha de alguém que, além de gay, é um travesti e artista? Ah, é um gay efeminado que não consegue reagir a uma agressão física, não é? Pois quando um recém chegado aqui em cima fala isso, o João Francisco dos Santos e o Rogério Durst acham tanta graça que riem a bandeiras despregadas. O João publicou suas memórias em 1972, e o Rogério escreveu um livrinho sobre a vida dele para a coleção Encanto Radical, da editora Brasiliense. No teatro de revista dos anos 1920, ele foi o primeiro travesti artista do Brasil, a Mulata do Balacochê. Mas fora do teatro, era simplesmente um dos malandros mais temidos  dos anos 1930 e 1940. Aliás, foi em no fim dos anos 1930 que ele ganhou o apelido que o tornou famoso: Madame Satã. Era muito bom de porrada até mesmo no fim da vida, quando andava com a turma do jornal O Pasquim, para o qual deu uma entrevista famosa. Senta que lá vem historinha (do livro do Rogério):

Numa tarde, ele e Jaguar comiam um negócio no bar Internacional, que ficava na Carioca, no local da estação de bondinhos para Santa Teresa. Satã reparou em dois guardas que provocavam uma bichinha que estava no mesmo bar. Satã foi perguntar aos caras: "– Por que vocês não vem folgar comigo?" Um dos guardas respondeu: "– Que é isso, vovô?" e deu um peteleco no panamá de Satã. O vovô lhe deu uma merecida porrada, e ele foi parar longe. O outro guarda saiu correndo.

(Dizem que o outro guarda correu tanto que foi parar no Acre. Mas isso é intriga galhofeira da oposição...)
Sim, João Francisco dos Santos é Madame Satã – personagem tão fascinante que foi um dos musos inspiradores de um dos grandes sambas de Noel Rosa, Mulato bamba. Ouve só:


Mas só para responder finalmente à sua pergunta: por que tem tanto personagem LGBT na telinha?
Primeiro, porque atualmente, aí embaixo, tem várias telinhas. Não é somente a televisão aberta onde você trabalha: temos os canais de TV por assinatura e a internet. Mais telas, mais opções de espaços para teledramaturgia... e para personagens LGBTs.
Segundo: os LGBTs estão cada vez mais presentes e visíveis na sociedade – especialmente como cidadãos pagadores de impostos e consumidores. E numa sociedade que quer ser capitalista, ser contribuinte e consumidor garante a cidadania que eles querem e desejam ter – fora o fato de que se tornam cada vez mais alvo de estratégias de marketing

Mas, afinal, por quê as marcas estão “saindo do armário”?
Para Silvio Sato, professor de Publicidade e Propaganda da FAAP, mais do que reconhecer que o público lésbico, gay, bissexual, transexual e transgênero é um cliente como qualquer outro, o marketing das marcas também percebeu que essa é uma demanda social.
“Posicionar-se a favor dos LGBT é uma questão emergente e as empresas não podem ignorá-la. Muito mais do que lucro, elas sabem seu papel como formadoras de opinião e por isso se posicionam a favor do tema”, explica.
De acordo com Sato, para conquistar esses consumidores as marcas não precisam de muito, apenas das estratégias clássicas de marketing – uma vez que a diversidade dentro da comunidade LGBT é bastante representativa.
“É preciso fazer o básico: separar os consumidores em grupos, de acordo com os critérios de interesse das empresas e dos consumidores. O público LGBT não é nada além de que mais um consumidor, que tem seus desejos e expectativas”, diz.
O especialista acrescenta que o mais importante para a marca é a visão que esse consumidor constrói quando se sente representado.
“Marcas engajadas nessa política social são melhores vistas pelo público LGBT, que se sente representado e que só busca ser tratado com naturalidade. Isso é positivo e atrai mais visibilidade para a marca”, explica.

Terceiro: por mais que os Felicianos, Malafaias e outros fiscais de "fuíco" alheio esperneiem e até façam campanhas de boicote – como Malafaia, que decretou boicote ao Boticário e ao grupo Disney (sem nenhum outro resultado que não seja o próprio Malafaia pagar dois baita micos...) – os LGBTs estão cada vez mais presentes e visíveis na sociedade. E não querem mais ser vistos de modo negativo, como a "bichinha" afetada e frágil ou o vilão melífluo quase psicopata – basta lembrar o Felix/Mateus Solano, da novela Amor à vida, de Walcyr Carrasco, que começou como um vilão e acabou virando quase um mocinho, ajudando a desfazer as tramas de outra vilã, Aline/Vanessa Giácomo. E, de quebra, ainda deu o primeiro beijo gay – no personagem Niko/Thiago Fragoso – em uma novela da Globo em toda a sua história – com um considerável atraso em relação à emissora onde o senhor trabalha, o SBT, que colocou Marcela/Luciana Vendramini beijando Marina/Gisele Tigre, em Amor e Revolução , de Tiago Santiago – mas como pessoas da realidade, com suas complexidades, qualidades e defeitos – tal qual pessoas heteros que você conhece por aí.
(Ah, ainda tem a teimosia em dizer que homossexualidade é doença e pode ser curada com terapias – apesar da ciência demonstrar que não é.. Falei isso pro Telly Savallas, aqui do meu lado, e ele riu à beça. Ele estava aí embaixo quando viu aAssociação Americana de Psiquiatria retirar a homossexualidade de seu catálogode transtornos mentais em 1973 – afirmando que "a homossexualidade em si não implica qualquer prejuízo no julgamento, estabilidade, confiabilidade ou capacidades gerais sociais e vocacionais" – e a Associação Americana de Psicologia fazer a mesma coisa em 1975. Pra ele, "cura gay" é o mesmo que terapia psiquiátrica para curar... a calvície, sem precisar de perucas ou de implantes de cabelo – e olha que, de calvície, ele entende...)
Pois é.
O senhor disse que foi uma brincadeira, e eu até acredito. Mas siga o conselho que estou lhe fornecendo gratuitamente: pense – e mais do que isso, verifique e estude o assunto – antes de falar (ou fazer brincadeiras) sobre alguma coisa. O senhor vai ver como isso evita aborrecimentos – tais como perda de pontos no IBOPE, por exemplo.
Respeitosamente,

AFONSO SOARES.

Pra quem não está ligando o nome à pessoa: Afonso Soares (1923-2007) foi cronista esportivo de rádio, comentarista de futebol (cujo primeiro grande destaque foi a cobertura da Copa do Mundo do Brasil, em 1950. Nos anos seguintes, ficou famoso pela irreverência de seus comentários em um quadro em programas matinais nas rádios Globo e Tupi, Não Perca a Esportiva. Mas o que ele tem em comum com Ratinho? Simples. O roedor começou a sua carreira na televisão com um programa policial na CNT, 190 Urgente, antes de ir para a Record (Ratinho Livre, 1997) e, mais tarde, para o SBT (Programa do Ratinho, de 1998 até hoje). Pois Afonso pode ser considerado o pioneiro que originou programas como o de Ratinho no CNT (e também o Brasil Urgente, da Band, e o Cidade Alerta, da Record), ao criar para a Rádio Tupi (hoje Super Rádio Tupi), em 1960, a Patrulha da Cidade , um programa policial que mistura jornalismo com rádio-teatro, relatando casos policiais com uma dose de... (pigarro) humor –a mesma fórmula que levou para a Rádio Globo nos anos 1980, ao apresentar A cidade contra o crime.
Em suma, o interlocutor ideal do outro mundo para falar o que precisa ser falado neste mundo ao ilustre roedor...

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E agora, a nossa indicação de filme para esta séria série: foi cronista esportivo de rádio, comentarista de futebol (cujo primeiro grande destaque foi a cobertura da Copa do Mundo do Brasil, em 1950. Nos anos seguintes, ficou famoso pela irreverência de seus comentários em um quadro em programas matinais nas rádios Globo e Tupi, Não Perca a Esportiva. Mas o que ele tem em comum com Ratinho? Simples. O roedor começou a sua carreira na televisão com um programa policial na CNT, 190 Urgente, antes de ir para a Record (Ratinho Livre, 1997) e, mais tarde, para o SBT (Programa do Ratinho, de 1998 até hoje). Pois Afonso pode ser considerado o pioneiro que originou programas como o de Ratinho no CNT (e também o Brasil Urgente, da Band, e o Cidade Alerta, da Record), ao criar para a Rádio Tupi (hoje Super Rádio Tupi), em 1960, a Patrulha da Cidade , um programa policial que mistura jornalismo com rádio-teatro, relatando casos policiais com uma dose de... (pigarro) humor –a mesma fórmula que levou para a Rádio Globo nos anos 1980, ao apresentar A cidade contra o crime.
Em suma, o interlocutor ideal do outro mundo para falar o que precisa ser falado neste mundo ao ilustre roedor...

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E agora, a nossa indicação de filme para esta séria série: Embrasse-moi (França, 2017), de Cyprien Val e Océane-Rose-Marie – aliás, Océanerosemarie (assim mesmo, sr. revisor, tudo junto, obrigado)… aliás, Océane Michel… aliás, Oshen (pseudônimo)... Sério: tudo bem que ela faz muita coisa – é atriz, diretora, comentarista das rádios France Inter e Europa 1 e apresentadora de televisão (especialmente do programa Stop sur images). Mas precisa tanto nome e pseudônimo? Inveja dos heterônimos de Fernando Pessoa?
Enfim, Embrasse-moi é uma comédia romântica – dizem fontes não oficiais que é autobiográfica, já que Océane-Rose-Marie... aliás, Océanerosemarie... aliás, Océane Michel... aliás, Oshen... é lésbica assumida... mas sabem como são estas fontes não oficiais... parecem uma versão 2.0 dos mexericos da Candinha... talvez pensem isso porque ela é a roteirista do filme (com um humor, continuação temática de
La Lesbienne invisible, show dirigido por Murielle Magellan, onde fala sobre sua carreira, a de uma jovem a qual ninguém quer acreditar em sua homossexualidade), codiretora e protagonista... cujo personagem tem o mesmo nome da atriz-codiretora-roteirista...
Vamos à bendita sinopse?
Océane-Rose-Marie (Océane-Rose-Marie... aliás, Océanerosemarie... aliás, Océane Michel... aliás, Oshen) é uma fisioterapeuta cuja vida amorosa é de dar inveja a Shane de The L Word – um ninho de mafagafos cheio de mafagafinhos... digo, mafagafinhas: namoradas, ex-namoradas, ficantes, ex-ficantes... A coisa vai assim até que Océane-Rose-Marie conhece Cécile (Alice Pol) e se apaixona por ela, convencida de que ela é a mulher da sua vida... Tudo ia bem, até um dia em que Cécile surpreende Océane-Rose-Marie beijando uma de seus ex namoradas. A jovem, louca por Cécile, fará de tudo para reconquistá-la...
O que fará? Putz, já dei spoiler demais. Encha o saco de uma distribuidora para trazer Embrasse-moi pro Brasil.
Até lá, fique com o trailer.